Cuiabá, 13 de Dezembro de 2018

CORPO DE BOMBEIROS

Sexta-feira, 06 de Abril de 2018, 19h:30 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Segundo caso de tortura envolvendo Ledur também vai para Vara Militar

Daffiny Delgado

Maurício Santos ex bombeiro

 

O segundo caso de tortura envolvendo a tenente Izadora Ledur, do Corpo de Bombeiros de Cuiabá, denunciado por Maurício Júnior dos Santos, vítima de tortura e perseguição durante o 15° Curso de Formação do Corpo de Bombeiros em Mato Grosso, investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE), também foi encaminhado para a 11ª Vara Criminal Militar.

 

O processo de Maurício tramitava na 7° Vara Criminal de Cuiabá, mas no último dia 14, o caso foi remanejado. A transferência do caso foi realizada diante da Lei 13491/2017 - que estabelece que compete à Justiça Militar, e não à Justiça Comum -, os crimes dolosos cometidos por militares.

 

O jovem lamentou a transferência do seu processo e ressaltou seu receio de que o caso não receba a justiça adequada, para os crimes cometidos.

 

"Eu tenho um receio sim, diante da mudança, tendo em vista tudo que eu vivi dentro de uma instituição militar. No entanto, eu acredito que as penalidades oferecidas na Justiça militar possam ser mais severas, se aplicadas. Então agora só nos restas ter fé e nos apegar a Deus, para que o juiz consiga mostrar a verdade do acontecido e que eu consiga ter a justiça. E que a Ledur pague pelo que ela fez", explicou.

 

Em seu depoimento prestado para o delegado Juliano Silva de Carvalho, na sede da Gerência Estadual de Polinter, no dia 11 de setembro do ano passado, o jovem contou que chegou a ter uma corda amarrada em seu pescoço e foi afogado até desmaiar, pela tenente.

 

Isso por conta da dificuldade que Maurício teve nas atividades aquáticas, no qual Ledur era a oficial orientadora responsável.

 

Antes de ser obrigado a desistir do curso, faltando poucos dias para a formatura, o ex-aluno comentou que o comandante do pelotão que pertencia, o tenente  Janisley Teodoro, disse "antes um frouxo vivo, que um arrochado morto".

 

Maurício ainda comentou que após o comentário do comandante, resolveu desistir. Destacando ainda que dava para ver que havia uma certa conivência dos outros oficiais, diante da prática de tortura usualmente realizada por Ledur.

 

“Diante dessa frase, dava para entender que se eu continuasse no curso eu poderia não sair vivo. E mostra ainda que os atos praticados pela tenente não eram contestados pelos outros oficiais”, ressaltou

 

Outro Caso

 

O caso mais grave envolvendo práticas de tortura dentro dos cursos de formação do Corpo de Bombeiros terminou com a morte de Rodrigo Claro, em novembro de 2016. O jovem de 21 anos, passou mal após ter passado por uma sessão de afogamento, durante atividades aquáticas realizado na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.

 

Ele chegou a ser hospitalizado e ficou internado no Hospital Jardim Cuiabá, por cinco dias. Durante a primeira audiência do caso, realizada na 7° Vara Criminal, colegas da vítima relataram que ele vinha sendo submetido a diversos "caldos", e que chegou a reclamar de dores de cabeça e exaustão durante o curso.

 

Para o Ministério Público do Estado, Rodrigo ter apresentado dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios e, ainda assim, a oficial utilizar métodos abusivos nos treinamentos para puni-lo, revela ‘inequivocamente, o perfil perverso da tenente como instrutora'.

 

O caso de Rodrigo, que também tramitava na 7ª Vara criminal foi transferido pelo juiz Marcos Faleiros, para a 11°, está semana.

 

Para a defesa da família claro, o receio vem diante dos processos de investigações que foram realizados paralelamente pela corporação e pela Polícia Civil.

 

“Após a morte de Rodrigo foram realizadas duas investigações, uma pela corporação e outra pela justiça comum, uma apontou apenas maus tratos e a outras práticas de tortura. Então, esperamos que apesar das divergências o caso seja apurado como tortura, conforme apontou o Ministério Público”, explicou Júlio Lopez.

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