Cuiabá, 22 de Novembro de 2017

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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017, 10h:38 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Taques afirma que esquema dos grampos está sendo usado de forma politiqueira

Taques confirma que muitas vezes tentam incriminá-lo por algo que ele não fez, usando o esquema; governador diz confiar na Justiça

Aline Almeida / Revista Única

(Foto: Gcom-MT)

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Crise econômica, esquemas dos grampos, delação do ex-governador Silval Barbosa, obras da Copa, são alguns dos problemas que o governador Pedro Taques tem tido de enfrentar desde o início da gestão.  José Pedro Gonçalves Taques completa o terceiro ano de sua gestão como governador. Ele, que já foi procurador da República e senador, ficou muito conhecido pela atuação contra a corrupção. A trajetória de Taques é marcada pela desarticulação de uma quadrilha que agia em toda a Amazônia Legal. Mais conhecido como “Caso Sudam”, o escândalo abalou a política brasileira com a prisão do então presidente do Senado, Jader Barbalho. É também reconhecido por ser o autor da ação que levou o comendador João Arcanjo Ribeiro, líder do crime organizado no estado, para a prisão no ano de 2003.

Filho de pequeno agricultor e de uma professora aposentada, Taques nasceu em 15 de março de 1968.  Nas eleições de outubro de 2014 foi escolhido para governar Mato Grosso, um estado que tem como potência econômica o agronegócio. De cara, o governador teve de enfrentar uma série de obras paradas da Copa, além de gerir um estado que como os outros da federação enfrentou e ainda enfrenta os impactos da crise econômica do Brasil.

Num bate-papo, Taques fala dos grandes desafios do seu governo, das conquistas e avanços e do que ainda precisa ser feito. O governador fala ainda dos escândalos dos grampos, da delação de Silval e das áreas mais críticas.

 

 

Única - Já são quase três anos da gestão Pedro Taques. O governo tem sido de transformação ou de superação? Aponte os pontos positivos e negativos da gestão.

 

Pedro Taques - Estamos promovendo uma transformação no estado de Mato Grosso em diversos setores. Avançamos, e muito, em áreas importantes da administração pública e em serviços que têm impactado diretamente a vida do cidadão. Reforçamos a Segurança Pública com mais 3.663 novos policiais e novas viaturas, o que proporcionou a queda no número de homicídios e roubos em todo o estado. O Pró-Estradas já pavimentou e reconstruiu mais de 2.200 km de rodovias. No social, criamos o Pró-Família, que está beneficiando milhares de famílias em todo o estado. Temos a Caravana da Transformação, que é o Estado presente nos quatro cantos de Mato Grosso, com serviços de cidadania e cirurgias oftalmológicas de graça para a população. Poderia citar diversos outros exemplos: na Educação, com novas escolas construídas, a Arena da Educação; a distribuição de equipamentos para a Agricultura Familiar e os programas de incentivo às cadeias produtivas; a criação do Instituto da Carne Mato-grossense; ações de combate ao desmatamento; além de medidas de austeridade e combate à corrupção, como a realização de auditorias e revisão de contratos que levaram à economia de R$ 1 bilhão, em mil dias de gestão.

 

 

Única - Quais setores tiveram mais avanços e por quê?

  

Pedro Taques - Vou citar dois exemplos: Segurança Pública e Infraestrutura, porque os avanços que tivemos nessas áreas são incontestáveis. Com mais policiais nas ruas e nas delegacias, bem treinados e equipados, tivemos uma redução drástica no número de roubos e assassinatos em todo o estado. Em Cuiabá, o número de homicídios teve queda de 34%. Em Várzea Grande, a redução foi de 55%. A quantidade de roubos caiu 28% em todo o estado em comparação com o ano passado. Nas estradas, fizemos 2.200 km de asfalto novo e reconstrução. É pelas estradas que passa o desenvolvimento, que passa a polícia, que passa a ambulância, que passa a produção. Então, é qualidade de vida para a população. 

 

“Eu espero que as investigações avancem e que os responsáveis por roubar o dinheiro do povo de Mato Grosso sejam punidos com o rigor da lei”, afirma Pedro Taques

 

Única - A Saúde é um grande desafio para sua gestão? Neste ano, por exemplo, tivemos várias notícias de falta de repasses, hospitais paralisados. Como diminuir os problemas que afetam o setor? Quando se fala nesta área, quais as maiores dificuldades?

 

Pedro Taques - O problema da Saúde Pública não é apenas de Mato Grosso, mas de todo o país. É reflexo de má gestão e falta de investimento ao longo de muitos anos, não temos como corrigir da noite para o dia. Mas temos avançado, e muito. Ampliamos a rede de UTIs no estado com mais 204 leitos, aumentamos os repasses de Saúde para os municípios, concedemos um auxílio voluntário de R$ 7,5 milhões aos hospitais filantrópicos. Além disso, estamos construindo o novo Pronto-Socorro de Cuiabá em parceria com a Prefeitura da capital. Essa unidade de Saúde terá 315 leitos, sendo 40 para Unidades de Terapia Intensiva (UTI), um Centro de Diagnósticos e um Centro Ambulatorial.

Ainda falando em Saúde, também temos a Caravana da Transformação, que já realizou mais de 30 mil cirurgias oftalmológicas em todo o estado. Serviço de qualidade que devolve a dignidade ao cidadão, com a possibilidade de voltar a enxergar. 

 

 

Única - Quanto foi possível avançar até agora na infraestrutura do Estado e o que se pode esperar até o final do seu governo?

 

Pedro Taques - O governo tem investido muito na infraestrutura de Mato Grosso. Em dois anos e nove meses, já pavimentamos e reconstruímos 2.220 km de rodovias em todo o estado. E vamos fazer muito mais. Veja alguns exemplos: estão a pleno vapor as obras de duplicação da Estrada da Guia (MT-010), da Estrada de Chapada dos Guimarães (trecho urbano da MT-251) e da Estrada de Santo Antônio de Leverger (MT-040). Também vamos retomar as obras do Rodoanel, um grande investimento que estava parado desde 2010.

Além disso, repassamos mensalmente recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) para os municípios. De janeiro até agora, já foram repassados mais de R$ 600 milhões.

 

 

Única - O governo tem sido um dos únicos do país a conseguir colocar as contas em dia, pagar servidores, fornecedores, enfim, tocar o Estado. Como isso está sendo possível? O que o Estado deve fazer para encontrar o equilíbrio financeiro? 

 

Pedro Taques - É importante dizer que os servidores públicos são o maior patrimônio do Estado de Mato Grosso. E mesmo enfrentando a maior crise econômica da história do país, com reflexo direto nas finanças em nosso estado, a prioridade do nosso governo sempre foi honrar o salário dos servidores. Mas a conta é difícil de fechar, porque os gastos com a folha de pessoal têm aumentado de forma desproporcional em relação às demais despesas e à receita. Reduzimos as despesas, fizemos uma reforma administrativa, enxugamos a máquina para economizar recursos e, mesmo assim, manter salários em dia. Também apresentamos à Assembleia Legislativa a Proposta de Emenda à Constituição, conhecida como a PEC do Teto de Gastos, que vai limitar os gastos públicos no estado. Com a aprovação da PEC, Mato Grosso poderá aderir ao Plano de Auxílio aos Estados e ao Distrito Federal, proposto pela União, que prevê o alongamento de prazo para o pagamento de dívidas públicas, medida que alivia as contas do Poder Público e garante novos investimentos no estado e nos municípios.

 

 

Única - A área de Segurança tem sido uma das que mais tem apresentado números positivos. Diminuíram os roubos, furtos, mortes. Quais têm sido os motivos para estes bons resultados? Quais foram os investimentos nesta área?

 

Pedro Taques - Planejamento e investimento. Foi uma decisão de governo investir em Segurança Pública logo no início da gestão. Chamamos 3.663 novos policiais. Entregamos armas, munição e viaturas para equipar nossas Forças de Segurança. E o resultado foi a redução dos índices de criminalidade em todo o estado, além de promover uma maior sensação de segurança na população. Fui criticado por investir em Segurança, mas imagine se eu não tivesse feito isso. Mato Grosso estaria vivendo o caos da violência.

 

 

Única - Outra área que tem trazido bons resultados é a da Educação. Diversos projetos estão sendo colocados em prática. Cite os marcos desta área e os principais investimentos.

 

Pedro Taques - A melhora na qualidade de vida e a garantia de um futuro melhor para nosso país dependem de investimentos em Educação. Foi pensando nisso que lançamos o Pró-Escolas, com ações nos eixos Ensino, Estrutura, Inovação e Esporte e Lazer, com foco na melhoria da qualidade de ensino. Só este ano já entregamos 18 novas unidades e vamos chegar a 35, além de reformar um total de 70 escolas. Atualmente Mato Grosso tem nove escolas técnicas e estamos construindo mais 10. Veja bem, vamos dobrar o número de escolas técnicas. Também estamos valorizando e capacitando os profissionais da Educação.

 Outra novidade foi a criação da Arena da Educação. É a primeira escola-estádio do Brasil, uma escola que funciona dentro da Arena Pantanal, com aulas do currículo escolar normal e outras 10 modalidades esportivas. 

Lançamos também o programa Muxirum da Alfabetização, com a meta de diminuir drasticamente a taxa de analfabetismo em Mato Grosso, alfabetizando cerca de 11.200 jovens, adultos e idosos até dezembro de 2018. Também temos que destacar a entrega que fizemos de 800 mil novos uniformes aos alunos da rede estadual, em uma parceria com a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão.

 

“Infelizmente estão utilizando essas acusações para tentar me incriminar por algo que não fiz. Estão usando esse escândalo, que é grave, de forma politiqueira”, diz Taques

 

 

Única - Sobre o VLT. Como foi para o senhor assumir e encontrar esse “pepino sobre trilhos”? Como cidadão e como gestor, como o senhor avalia esta obra? O que ainda podemos esperar para este ano em relação à obra? 

 

Pedro Taques - Antes de tudo, é preciso deixar claro que a administração anterior parou as obras do VLT em dezembro de 2014 e não tinha qualquer trabalho nos canteiros. Quando iniciamos a administração, buscamos fazer uma auditoria para descobrir o que foi feito, como foi feito e quanto havia sido pago ao certo. Uma auditoria contratada pelo Estado mostrou que haverá a necessidade de injetar R$ 40 milhões, por ano, para o VLT rodar por Cuiabá e Várzea Grande. 

Mas foi a opção escolhida naquele momento e uma parte das obras foi feita, os trilhos estão aqui e também os vagões. Não seria razoável não dar continuidade ao modal. O problema é que agora o caso está na Justiça. Houve uma operação da Polícia Federal, baseada em nossas auditorias, que constatou irregularidades na contratação da empresa, pagamento de propina, um escândalo. 

Agora temos que encerrar a discussão jurídica para decidir o futuro do VLT, seja por uma nova licitação para a retomada das obras ou uma parceria público-privada.

 

 

Única - Tivemos um ano muito atípico. Um dos episódios marcantes é o chamado “esquema dos grampos”. O senhor tem sempre dado uma resposta rápida neste caso, afastando e até exonerando os supostos envolvidos. Explique a necessidade desta resposta rápida.

 

Pedro Taques - É bom esclarecer que desde o início tomei todas as medidas para apurar os fatos. Temos buscado a apuração junto ao MPE e estamos fazendo o trabalho interno. Cito como exemplo a questão da fraude no protocolo da segunda denúncia. Quando fui informado de uma segunda denúncia que teria sido protocolada no Palácio, determinei a investigação da Controladoria Geral do Estado. Essa auditoria revelou que ocorreu uma fraude no protocolo e que o documento havia sido alterado. Agora os trabalhos estão concentrados em saber a autoria deste ato criminoso.

Com relação ao suposto esquema, garantimos a independência dos policiais militares que conduzem o Inquérito Policial Militar dos membros da corporação que figuram entre os investigados. Da mesma forma, também age a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, com a garantia de que o governo não irá, de forma alguma, atrapalhar o andamento das investigações.

 Agora cabe à Justiça tomar as providências legais, desde que sejam respeitados os trâmites processuais e o direito à ampla defesa. Repito o que tenho dito desde o início: nunca soube e nem autorizei qualquer esquema criminoso. Por isso mesmo pedi que o STJ me investigue, para acabar de uma vez por todas com qualquer especulação. Ninguém está acima nem abaixo da lei. Então, se alguém teve responsabilidade sobre isso, que pague na forma justa da lei.

 

 

Única - Muitas vezes alguns meios de comunicação e até mesmo representantes da Justiça têm tentado ligar sua imagem ao esquema dos grampos. O que pensa disso?

 

Pedro Taques - Infelizmente estão utilizando essas acusações para tentar me incriminar por algo que não fiz. Estão usando esse escândalo, que é grave, de forma politiqueira. Mas o cidadão de Mato Grosso sabe que eu tenho um histórico de combate ao crime e não de conivência com o que é errado. Tenho confiança na Justiça e sei que a verdade prevalecerá.

 

 

Única - Como o senhor tem visto a delação de Silval Barbosa? Até que ponto acredita que seja verídica? Muita gente entende que o Estado está sendo passado a limpo. Também concorda com isso?

 

Pedro Taques - Como governador do Estado, eu não tenho que analisar ou opinar sobre a delação. Isso cabe à Justiça. O que posso dizer é que os crimes confessados pelo ex-governador foram alvo das auditorias que determinei no meu primeiro dia de governo. Essas auditorias revelaram o esquema criminoso que havia sido instalado na sede do Poder Executivo. Eu espero que as investigações avancem e que os responsáveis por roubar o dinheiro do povo de Mato Grosso sejam punidos com o rigor da lei.

 

“O governo tem investido muito na infraestrutura de Mato Grosso. Em dois anos e nove meses, já pavimentamos e reconstruímos 2.220 km de rodovias em todo o estado. E vamos fazer muito mais”, ressalta Pedro Taques

 

Única - Aprovada, quais são os efeitos que a PEC dos Tetos vai trazer? O que é real e o que é mito quando se fala nesta adequação?

 

Pedro Taques - A Proposta de Emenda Constitucional que ficou conhecida como PEC do Teto de Gastos vai limitar os gastos públicos no Estado. É uma medida necessária pensando no futuro, nas próximas gerações. Com a PEC, Mato Grosso poderá alongar o prazo para pagar suas dívidas públicas. Resumindo, é uma medida que vai aliviar as contas do Poder Público e garantir novos investimentos para áreas essenciais como Saúde, Segurança e Educação. A estimativa é que Mato Grosso economize até R$ 1,3 bilhão no próximo ano com a aprovação da PEC. Isso é necessário porque está ocorrendo um descompasso entre receita, despesa, repasse aos Poderes, gasto com pessoal. Precisamos criar limites. E adianto que os servidores públicos não vão perder nenhum direito já adquirido. As leis de carreira estão garantidas, a RGA 2017 e 2018 está mantida. A conta é simples: o Estado não pode gastar mais do que arrecada.

 

 

Única - O senhor é candidato à reeleição ao governo ou deve pleitear outro cargo político?

 

Pedro Taques - O momento agora é de pensar em governar e fazer as entregas necessárias para o cidadão.

 

 

 

 

 

 

 

 

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