Cuiabá, 21 de Outubro de 2019

POLÍTICA
Quinta-feira, 02 de Maio de 2019, 08h:30

QUER CPI DA TERRA

Deputado diz que situação fundiária de MT é vespeiro que governantes têm medo de mexer

Fernanda Nazário
Única News

assessoria

O deputado estadual Valdir Barranco (PT) quer uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a situação fundiária de Mato Grosso. Ele diz que é obrigação do Governo regularizar as terras no estado, mas isso não acontece porque os governantes têm medo mexer ‘nesse vespeiro’, devido aos muitos títulos fraudulentos que serão encontrados.

O petista acredita que o Estado só perde para o Pará no quesito sobreposição de áreas. Segundo ele, para cada um título emitido em Mato Grosso, existem cinco títulos falsos. Já no Pará, esse número sobe para nove. “É preciso o Governo ter coragem para enfrentar. Até hoje não encontramos nenhum governador com essa coragem, porque se não fizerem isso, Mato Grosso nunca via ter regularização fundiária”.

Para o petista, o cenário fundiário do Estado só está dessa forma devido à expansão da fronteira para além da região metropolitana, na década de 70 e 80. Ele lembra que isso ocorreu de duas formas: para os pobres e para os amigos do governo federal.

“Na primeira, os pobres foram trazidos e levados para sonhos deles, mais para o interior do estado, principalmente na região norte através de pessoas ligadas ao governo, aos quais ele deu grandes porções de terra”.

Já para os amigos do Governo, o deputado explica que foi dado o “mapa da mina”. “Por isso que hoje, se você for fazer um levantamento, vai ver que Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sorriso, Primavera do Leste, Campo Novo do Parecis e em Sapezal, têm os grandes fazendeiros”.

Segundo Barranco, esses fazendeiros estão concentrados nessas cidades, porque não foram feitos projetos de colonização para pequenos, então os grandes chegaram, se apropriaram de áreas públicas do Estado e depois foram buscando regularização junto ao Incra.

“Por isso quero propor uma CPI da terra em Mato Grosso, porque isso é uma caixa de marimbondo. É um vespeiro que os governos têm tido medo de mexer, porque vamos encontrar muitos títulos fraudulentos, muitos títulos duplicados”, acredita o deputado.

Ele avalia que isso tem gerado conflitos, especialmente entre os grileiros que possuíram áreas públicas, tanto na fronteira com a Bolívia, quanto na região Norte de Mato Grosso. “Ali em Novo Mundo, União do Sul, Colniza, que é uma área de 393 mil hectares, não é uma área pequena. Essas pessoas se organizam e vão para disputa, porque eles querem que o governo se manifeste e não há outra maneira de fazer regularização fundiária ou reforma agraria se não for, infelizmente, pela organização social dessas famílias”.


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