Cuiabá, 17 de Agosto de 2019

POLÍTICA
Quarta-feira, 15 de Maio de 2019, 15h:55

OPERAÇÃO SANGRIA

Médicos envolvidos em esquema pedem flexibilização de prisão domiciliar para atender plantões

Fernanda Nazário
Única News

alair ribeiro

Os médicos investigados na “Operação Sangria”, Luciano Correia, Fábio Liberali Weissheimer e Huark Douglas Correia, pediram à juíza Ana Cristina Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que as medidas cautelares que eles seguem sejam flexibilizadas. Eles querem exercer a medicina, mas estão impedidos pela Justiça de saírem de casa entre 19h e 06h e de frequentarem unidades de saúde públicas estaduais e municipais.

Os médicos são acusados de fraudarem licitações para beneficiar empresas da área de prestação de serviços médicos em contratos com a Secretaria Municipal de Saúde e com o Estado de Mato Grosso. O crime pode ter causado danos de R$ 14,6 milhões à Prefeitura de Cuiabá.

No documento, o advogado dos investigados, Hélio Nishiama, conta que Fábio e Luciano já descumpriram a medida cautelar. No dia 7 de maio, Luciano chegou em casa meia hora depois do estipulado pela justiça, às 19h30.

A defesa alega que o médico teve que atender, às 18h49, uma paciente com cisto na região do apêndice. “Conforme documento anexo, razão pela qual chegou à sua casa às 19h30. O que foi imediatamente comunicado à Central de Monitoramento".

Já Fábio, no dia 08 de maio, precisou entender um paciente às 18h41, se atrasou e chegou na sua residência às 19h10, ou seja, 10 minutos depois do determinado pela justiça. “Dessa forma, requer-se a Vossa Excelência o acolhimento das justificativas dos oras requerentes, ressaltando-se que é a intenção de ambos cumprir rigorosamente as cautelares diversas de prisão”, diz o advogado.

Fábio atende na UPA da Morada do Ouro, de segunda a terça-feira, das 19h às 07h. Huark trabalha no Pronto Socorro de Cuiabá, de segunda a sexta-feira, das 07h às 11h. Além dos horários regulares, eles atendem escala de plantão, que pode ser diurna ou noturna. Luciano é professor de medicina na UFMT e trabalha no Hospital Universitário Júlio Muller, nas segundas-feiras, das 8h às 12h, e nas quintas-feiras, das 13h às 17h. Ele também atua na clínica da família no CPA, toda quarta-feira, das 13h às 17h.

Os dois médicos ainda atendem hospitais particulares, como Unimed e Santa Rosa.

Diante da dificuldade que os médicos estão tendo em cumprir com os horários da Justiça, devido ao trabalho que realizam, a defesa pede afrouxamento da medida cautelar. O advogado solicita que seja alterado o recolhimento do horário noturno para Luciano, permitindo que o médico retorne à sua residência às 21h.

O advogado quer também que Luciano, Fábio e Huark possam trabalhar à noite, nos finais de semanas e feriados.

Como eles estão proibidos de frequentarem uma unidade de saúde pública municipal, a defesa pede que essa medida sela relativizada para Fábio e Huark, que atendem na UPA e Pronto Socorro da capital, respectivamente.

A juíza ainda não avaliou os pedidos dos investigados. Como eles descumpriram uma medida cautelar, a juíza pode não aceitar a justificativa da defesa e decretar o retorno deles à prisão.


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