Cuiabá, 28 de Outubro de 2020

SAÚDE E BEM ESTAR
Sábado, 05 de Setembro de 2020, 11h:25

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Acidentes com cobras podem ser fatais: o que fazer? Dra Karin Krause orienta

Euziany Teodoro
Única News

Imagine marcar um passeio com seus irmãos e amigos próximos, numa tentativa de aliviar o intenso calor do mês de agosto e descansar da correria do dia a dia. Um banho de cachoeira parece ser ótima opção. No entanto, em segundos, o que deveria ser um dia leve e divertido, torna-se um pesadelo. Você ou alguém do seu grupo de amigos, é vítima de fatídico acidente e acaba picado por uma cobra venenosa.

Não é cena de novela. Foi exatamente o que aconteceu com a médica Dieynne Saugo, na Cachoeira Serra Azul, em Nobres. Hoje ela está na UTI, passou por duas cirurgias, transfusões de sangue e tenta se recuperar do veneno de uma jararaca. Mas ela tem chances. Não podemos dizer o mesmo de Giovani Correia, que picado por uma jararaca durante o trabalho em uma área rural de Denise (208 km de Cuiabá), não recebeu soro antiofídico a tempo e acabou morrendo.

Situações como essa podem acontecer a qualquer momento, quando menos esperamos. Mas então, o que fazer?

No cinema, sempre vemos um herói rasgar a roupa ou pegar o cinto e fazer um torniquete, em seguida, suga o veneno da ferida. Mas isso é realmente o mais indicado?

Para esclarecer algumas dúvidas e orientar sobre a melhor maneira de ajudar uma vítima de acidente com animais peçonhentos, o Única News falou com a médica dermatologista Karin Krause Boneti. E de cara ela já avisa: torniquete é a conduta errada!

“Como o veneno tem uma ação extremamente irritante para a proteína da pele (proteolítica), ele causa um inchaço agudo, que rouba muito líquido para essa região, e logo pode evoluir para uma síndrome compartimental. Ou seja, um edema intenso/agudo do membro afetado que pode comprimir o feixe vásculo-nervoso e gerar um quadro de má circulação (hipóxia), progredindo até para a necrose do membro”.

“Primeiro, é muito importante lavar bem o local. Se puder, com água e sabão neutro", orienta

Saber o que fazer após o acidente é essencial e pode salvar a vida da pessoa. A primeira atitude é lavar o local ferido. “Primeiro, é muito importante lavar bem o local. Se puder, com água e sabão neutro para evitar a contaminação por outros tipos de germes. Depois, colocar o paciente em repouso para diminuir o metabolismo (não permitindo que o sangue circule tanto) para não afetar o organismo como um todo, pois assim o veneno fica inativo por mais tempo. O ideal é elevar o membro para não gerar edema”, explica.

Depois de higienizar, acalmar a vítima e deixar o ferimento na posição correta, o próximo passo é procurar um hospital imediatamente. “A vítima deve ser avaliada por um médico. Se conseguir coletar e levar animal, isso ajudará a identificar qual tipo de soro antiofídico deverá ser administrado no paciente. A conduta médica, inclusive, será de acordo com o grau de envenenamento.”

“Em casos leves de intoxicação, utiliza-se mais antibiótico local, que também pode ser feito oral. Em casos moderados, antibiótico na veia (endovenoso) e uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Quando há um envenenamento mais grave, com uma síndrome compartimental, recomenda-se fazer uma fasciotomia (descomprimir esse membro fazendo cortes ao longo dele) para que o sangue consiga circular e não leve a uma necrose ou à possível amputação”, explica a médica.

Nesta época de forte calor em Mato Grosso, quando as pessoas procuram rios e cachoeiras para se refrescar, o cuidado deve ser redobrado, de acordo com a médica. Ela orienta sobre como proceder.

"É importante evitar esses tipos de locais. Se não for possível, tenha cuidado e evite levar comida, pois atrai esses animais".

“A propósito, nesta época de queimadas e calor elevado em Mato Grosso, as pessoas têm procurado muito banho de cachoeira e rio. Só que animais peçonhentos gostam desse ambiente quente e úmido, que é o habitat natural deles. Com as queimadas, eles se refugiam ainda mais nessas regiões. Por isso, é importante evitar esses tipos de locais. Se não for possível, tenha cuidado e evite levar comida, pois atrai esses animais. No caso de trilhas na natureza, use botas e artifícios para se proteger desse tipo de acidente”, alerta Karin.

PANORAMA – No Brasil, quatro grupos de serpentes causam acidentes que podem ser fatais: as jararacas (Bothrops), responsáveis por mais de 85% dos episódios; as cascavéis (Crotalus), com cerca de 7%; as surucucus (Lachesis), com 4%; e as corais verdadeiras (Micrurus), com menos de 1% dos registros. Contudo, mesmo mordidas de serpentes não venenosas requerem atendimento médico porque podem inocular bactérias na pessoa e levar a quadro de infecção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes com serpentes são considerados uma doença tropical negligenciada. Estima-se que 5,4 milhões de pessoas são picadas por cobras a cada ano no mundo. Desses, entre 81.000 e 138.000 morrem e até 400.000 ficam permanentemente incapacitadas ou desfiguradas. Para alertar e conscientizar a população sobre o tema, instituiu-se a data de 19 de setembro como Dia Internacional de Atenção aos Acidentes Ofídicos.


1 COMENTÁRIO:







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WarnerWillon  06-09-2020 15:05:42
Matéria de interesse público em linguagem simples esclarecedora ! Parabéns a Dra Karin krause Boneti e a Revista Única !

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