Cuiabá, 02 de Abril de 2020

POLÍTICA
Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2020, 13h:49

ENTREVISTA

Primeira-dama comemora avanço histórico nas políticas públicas para mulheres 

A atuação em Cuiabá teve repercussão nacional com recebimento de prêmios e participação em eventos Brasil afora  

Aline Almeida (REVISTA ÚNICA)

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Nascida na pacata cidade de Santa Izabel D’Oeste (PR), em 9 de junho de 1968, Márcia Aparecida Kuhn Pinheiro é a mais nova dos quatro filhos do casal de empresários José Darci Kuhn e Beatriz da Rocha Kuhn. Viveu a infância no interior do Paraná, onde cursou o ensino fundamental no Colégio Estadual Marquês de Maricá. Já adolescente, muda-se com os pais para Cuiabá, onde passa a fazer o ensino médio no Colégio Isaac Newton. Formada em Administração de Empresas pelo Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) e pós-graduada em Gestão Pública pelo Instituto Cuiabano de Educação (ICE), Márcia é casada com o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro. Mãe de Emanuel Pinheiro da Silva Primo, 21, e Elvis Kuhn Pinheiro, 18, ela dirigiu as empresas da família até o ano de 1995. Atuante, Márcia sempre apoiou Emanuel, tanto como esposa, quanto politicamente. Em 2011, ajudou a fundar o Movimento PR Mulher e, ao longo das dez eleições disputadas pelo esposo, fortaleceu o vínculo com as lideranças comunitárias e passou a ter contato direto com as bases.  

Única – Primeira-dama, Cuiabá apresenta um avanço quando se fala em projetos e ações voltadas às mulheres. Fale um pouco sobre como foi possível a capital dar este salto importante. Márcia Pinheiro - As políticas públicas voltadas às mulheres tiveram avanço histórico, em 2019. Os programas sociais idealizados e desenvolvidos, em conjunto com a Prefeitura de Cuiabá, via Secretaria Municipal de Assistência Social e Desenvolvimento Humano, foram determinantes para o crescimento nessa área, que teve repercussão em nível nacional. Por duas oportunidades, o programa Qualifica Cuiabá 300 Anos foi premiado nacionalmente pelo impacto nas políticas direcionadas à mulher e o combate à violência doméstica e familiar. O primeiro reconhecimento veio em outubro, quando foi destinado o prêmio ‘Mentes que Brilham’, na categoria da Área Social, e o segundo em dezembro, quando representei a Capital entre os 12 homenageados do prêmio ‘Parceiros do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Única – O que este reconhecimento vem a somar? Os avanços impactam de que forma a sociedade? Márcia Pinheiro – Existe uma mobilização atualmente da sociedade que anseia a busca da igualdade de gênero, do empoderamento feminino e Cuiabá seguiu esse desejo popular nos últimos três anos, especialmente em 2019. O reconhecimento é consequência, porém ele é sinal de que estamos no caminho certo. Hoje a sociedade, os grupos organizados e mesmo os números de violência doméstica, exigem uma política para mulheres que funcione e Cuiabá tem dado um salto enorme com o Qualifica, a criação da Secretaria da Mulher e muitos outros.

Única – Gostaria que pontuasse sobre o programa Qualifica 300, que tem sido um marco para a capacitação e construção de novas histórias para mulheres. Márcia Pinheiro – O Qualifica 300, como é popularmente conhecido, tem se consolidado como a maior política para as mulheres de nível municipal, dado que 80% da participação dos cursos oferecidos gratuitamente é do público feminino. Quando criamos o Qualifica 300 foi para oportunizar à toda a população e a quem mais precisa, entretanto, nos deparamos com essa grande participação das mulheres e foi quando passamos a focar nas ações para elas, porque tem grande impacto na redução da violência doméstica e familiar.

Única – O programa teve continuidade? Márcia Pinheiro – Na segunda edição do Qualifica 300, foram introduzidas palestras de conscientização acerca da violência doméstica e sobre os direitos das mulheres, além de proporcionar uma edição exclusiva para as mulheres, com 780 vagas para a qualificação de Manicure e Pedicure, Técnicas de Depilação e outros sete cursos com perfis de desenvolvimento de serviços e produtos nos próprios bairros.   Com mulheres mais capacitadas, empregadas, com seu próprio negócio e gerando renda familiar, vamos ter menos dependência de seus maridos, pois sabemos que muitas mulheres se sujeitam a determinadas situações, como violência física, verbal, psicológica, em casos extremos chega até ao feminicídio, porque dependem de seus maridos e não têm outra forma de cuidar de seus filhos ou familiares. Essa dependência é que passamos a combater, oferecendo cursos, oportunidade de trabalho e renda a elas. De quatro mulheres agredidas por violência doméstica, uma não denuncia o agressor porque depende dele financeiramente. Em Mato Grosso, segundo o último levantamento do Mapa da Violência contra Mulher, 3.448 casos de violência doméstica e familiar foram registrados. O perfil das vítimas é, em sua maioria, formado por mulheres solteiras, de cor parda, na faixa de 35 a 45 anos, com ensino médio completo, desempregadas e com vínculo de ex-convivente com o agressor.

Única – Outro avanço foi a Casa destinada a mulheres vítimas de violência. Conte sobre essa ação. Márcia Pinheiro – Além do sucesso do programa de qualificação, outras ações visando a melhoria das políticas para mulheres marcaram 2019, como a entrega da reforma total da Nova Casa de Amparo, que possui uma área de 608,46 m² com 29 espaços, nova mobília e estrutura física amplamente revitalizada na parte estrutural. A unidade de acolhimento institucional passa a contar com salas de coordenação, acolhimento, administrativo, psicossocial, brinquedoteca, refeitório, cozinha, dispensa, lavanderia, salão multiuso, refeitório, cozinha, almoxarifado, seis quartos, seis banheiros, horta, parque infantil e academia ao ar livre. Estamos trabalhando e vamos trabalhar mais para que essa casa não precise existir, porque esse é o nosso desejo. Estamos trabalhando na escola e no projeto Siminina a conscientização desde jovens, para que, num futuro próximo, a violência doméstica seja coisa do passado. Porém, já que necessitamos dessa casa agora, então que ela seja adequada para acolher essas mulheres, que enxergam aqui um novo recomeço para suas vidas.

Única – Quais outros avanços podemos citar para as mulheres? Márcia Pinheiro – Outro marco histórico para Cuiabá foi a assinatura do Termo de Cooperação Técnica com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que estabelece a inédita Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra Mulher de Cuiabá. O convênio inclui 14 instituições e os três poderes em prol da construção de ações conjuntas e inovadoras, além de deliberar propostas e projetos a serem desenvolvidos em conjunto com a Rede de Enfrentamento. No mesmo ato de assinatura, o prefeito Emanuel Pinheiro anunciou a criação da Secretaria Municipal da Mulher que, em 2020, proporcionará maior fomento à implementação de políticas públicas que visem a igualdade de gênero, a eliminação de qualquer forma de discriminação e violência contra mulher. Esse órgão inédito vai assegurar a plenitude dos direitos da mulher, além de estimular maior participação e integração na sociedade. Por exemplo, hoje se discute muito a participação da mulher nos cargos de chefia, salários iguais e tudo isso é mais uma barreira a ser vencida com a ajuda da sociedade, das instituições públicas e a Secretaria será um importante instrumento para a concentração de ideias inovadoras e eficazes.  

 

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 “Com mulheres mais capacitadas, empregadas, com seu próprio negócio e gerando renda familiar, vamos ter menos dependência de seus maridos, porque sabemos que muitas mulheres se sujeitam a determinadas situações, como violência física, verbal, psicológica, em casos extremos chega até ao feminicídio, porque dependem de seus maridos e não têm outra forma de cuidar de seus filhos ou familiares. É essa dependência que passamos a combater, oferecendo cursos, oportunidade de trabalho e renda a elas”, destaca a primeira-dama, Márcia Pinheiro.

 

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 “Existe uma mobilização da sociedade que anseia a busca da igualdade de gênero, do empoderamento feminino e Cuiabá seguiu esse desejo popular nos últimos três anos, especialmente em 2019”, ressalta Márcia Pinheiro.

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