Cuiabá, 10 de Agosto de 2020

POLÍTICA MT
Quarta-feira, 15 de Julho de 2020, 09h:59

COVID-19

Estado tem recebido denúncias de reuniões políticas; ‘Eleição será mais um risco’

Euziany Teodoro
Única News

( Foto: Agência Brasil)

As eleições municipais, adiadas para 15 de novembro (1º turno) e 29 de novembro (2º turno), devem ser mais um risco para elevar a contaminação da covid-19 em Mato Grosso e no Brasil. De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, a única alternativa será tentar amenizar esse risco.

Denúncias já estão sendo recebidas pelo Estado, inclusive o próprio secretário diz estar recebendo, em seu celular pessoal, de reuniões políticas acontecendo pelas cidades.

“Se tivermos a eleição, com certeza a aglomeração de pessoas, por mais distanciamento que vai ocorrer, vai trazer consequências. A campanha eleitoral vai trazer alguma consequência, porque qual candidato vai conseguir ficar parado, sem promover alguma reunião? Vão ser denúncias e denúncias. Já existem hoje. Recebo diariamente que alguém está fazendo reunião no bairro tal, para discutir política, porque é a maneira que tem de se fazer campanha: chegando até as pessoas, o contato diretamente com as pessoas é importante”, disse.

“Se tivermos a eleição, com certeza a aglomeração de pessoas, por mais distanciamento que vai ocorrer, vai trazer consequências", diz Figueiredo

Ele lembra que o distanciamento social, que recomenda pelo menos um metro de distância entre as pessoas em locais públicos, não está sendo obedecido nem mesmo em farmácias e supermercados. Nas eleições, isso deve piorar.

“A gente nota que as pessoas, para entrar numa farmácia, para entrar no mercado, está dizendo que tem que manter um distanciamento e não está dando nem um metro de distância um do outro. As pessoas não têm essa percepção de que precisa manter o distanciamento, como medida de segurança. Não é fácil fazer isso e não estou inventando essa história. Basta dar uma passada na cidade e vai verificar que o que eu estou falando é verdade. Imagine numa eleição, então. Vai acontecer. São riscos que o país vai correr, se mantiver essas decisões. Vai aumentar um pouco, sim, talvez até bastante, o ritmo da infecção no estado e no Brasil”, afirmou.

Além da dificuldade em fazer a população entender que o isolamento e distanciamento social são fundamentais para enfrentar a pandemia, pois ainda não há medicamento ou vacina específicos, há outro agravante: entramos em período de seca, quando a qualidade doa ar piora e doenças respiratórias aumentam.

“Nós começamos a viver o momento de piora na qualidade do ar, período de queimadas, período de baixa umidade do ar. Tudo isso contribui para o incremento das doenças respiratórias. A influenza, que é um período que ela chega com mais força. Então é um conjunto. Se tiver retorno das aulas, é mais um ingrediente preocupante, as aulas presenciais”.

"Sabendo que isso vai ocorrer, teremos que adotar todas as medidas necessárias para minimizar, mas 100% não vai conseguir."

O Estado deve se preparar para as eleições, com medidas não farmacológicas, para diminuir os riscos, pois a previsão é que a contaminação continue até o final do ano.

“Todo movimento dessa natureza é um risco. O que tem que ser feito é minimizar o risco, porque não vai ser extinta 100%. Vamos entrar agora num período bastante complicado no estado de Mato Grosso e a eleição só é mais um ingrediente nesse cenário. Sabendo que isso vai ocorrer, teremos que adotar todas as medidas necessárias para minimizar, mas 100% não vai conseguir”, concluiu Figueiredo.


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