Cuiabá, 22 de Setembro de 2020

POLÍCIA
Terça-feira, 11 de Agosto de 2020, 17h:33

LAUDO OFICIAL

Tiro foi disparado a 1,4m do chão e entre 20 e 30cm do rosto de Isabele

Elloise Guedes
Única News

(Foto: Reprodução)

O laudo pericial que foi entregue ao delegado Wagner Bassi, na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), nesta terça-feira (11), ressalta que o tiro que matou Isabele Guimarães, de 14 anos, foi disparado a uma altura de 1,4m do chão e a uma distância entre 20 e 30 centímetros do rosto da vítima. O documento é referente à perícia feita no local do crime.

"O disparo foi executado mediante o acionamento regular do gatilho pistola IMBEL (n° HGA44564) com o atirador na porção esquerda do banheiro. No ato do disparo, o agente agressor posicionou-se frontalmente em relação a vítima, sustentou a arma a uma altura de 1,44 do piso com alinhamento horizontal e a uma distância entre 20 e 30 centímetros da face da vítima", diz o documento.

Ainda de acordo com a perícia, "o motivo e a finalidade da ação não foram determinados pela perícia".

Os laudos entregues à Polícia Civil desmentem a versão da adolescente B.O.C., acusada de atirar na cabeça de Isabele. B. afirmou, em seu depoimento, que havia deixado o case com a arma cair no chão e, ao pegá-lo, teria disparado sem querer no rosto da menina, que morreu dentro de um banheiro.

A arma usada no acidente foi uma pistola PT .380. De acordo com o perito, a arma de fogo de onde saiu o projétil que atingiu Isabele na cabeça não pode produzir tiro acidental, mesmo com as várias modificações que sofreu.

"Nas circunstâncias alegadas no depoimento da adolescente, a arma de fogo, da forma que foi recebida, somente se mostrou capaz de realizar disparo e produzir tiro estando carregada (cartucho de munição inserido na câmara de carregamento do cano), engatilhada, destravada e mediante o acionamento do gatilho", diz trecho do laudo.

A defesa da família Cestari ainda não se pronunciou sobre o laudo entregue à polícia na data de hoje.

O caso

Isabele Guimarães foi encontrada sem vida no banheiro da casa da amiga, no dia 12 de julho, por volta das 22h30. Ela foi atingida com um tiro acidental na cabeça pela amiga, B.O.C., no condomínio Alphaville I, em Cuiabá.

Na casa da acusada, foram encontradas outras sete armas que pertenceriam ao pai dela, o empresário Marcelo Cestari. Ele é atirador esportivo e a menina também praticava o “esporte”. A arma usada no acidente foi uma pistola PT 380. Logo após o disparo, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e constatou a morte da vítima.

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), também esteve no local. A menor era filha do médico neurocirurgião Jony Soares Ramos, que morreu aos 49 anos, ao atropelar uma vaca na MT-251. O acidente aconteceu em 2018.

Cestari foi preso no mesmo dia, mas pagou fiança de um salário mínimo, R$ 1.045, e foi liberado. A justiça arbitrou nova fiança, na semana passada, de 200 salários mínimos, no entanto, uma nova decisão reconheceu que houve coação e derrubou o valor.

A mãe de Isabele, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, afirmou que sabia que a família praticava tiro esportivo, mas não sabia “que havia um arsenal na casa”. Além disso, ela não acredita na alegação de tiro acidental.


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