Cuiabá, 22 de Setembro de 2020

POLÍCIA
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020, 12h:03

VEJA GRÁFICO

Laudo mostra que adolescente estava de pé, na frente de Isabele, quando atirou

Elloise Guedes
Única News

(Foto: Reprodução)

O laudo final da perícia realizada no local do crime, onde a adolescente Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, foi morta com um tiro no rosto, aponta que a adolescente B.O.C., amiga dela, efetuou o disparo de pé, de frente com a vítima e bastante próxima a ela. Isso desconstrói o argumento da menor, que afirmou que o case com a arma havia caído no chão e disparou sem querer quando se levantava.

Conforme o perito, o sangue que respingou nos pés e no joelho de Isabele, no momento em que ela foi atingida, mostram que ela só teve tempo de um leve agachamento e depois tombou para trás. Isso comprova que a vítima foi atingida de uma curta distância e sem tempo de reação.

"A diferença de altura das lesões de entrada e de saída era praticamente nula. Ambas apresentavam 1,44 m de distância do solo, o que indica uma trajetória consideravelmente alinhada ao eixo horizontal do tronco do cadáver. Nesse sentido, o exame necroscópico corrobora essa perspectiva ao informar que o trajeto no interior do crânio também ocorreu de forma alinhada", diz trecho do laudo.

Um gráfico feito pela perícia mostra como o tiro foi efetuado e a posição em que a adolescente estava. "Ilustração das zonas de posição da vítima e do atirador, com base na projeção de manchas de sangue no sentido da trajetória do projétil e em sentido contrário. Os setores dos anéis de cor verde representam as faixas de posições da arma (faixa verde próxima ao centro da circunferência) e do atirador (faixa verde mais distante do centro da circunferência). O setor vermelho representa a zona de projeção mais plausível para a queda da vítima considerando tanto a produção de manchas de entrada, manchas de saída e manchas por deposição quanto a posição do corpo: justaposto em a um espaço limitado sem escoriações". Veja o gráfico:

(Foto: Reprodução)

gráfico

 

Outro ponto foi constatado pelo perito é que a adolescente teve morte instantânea e o sangue que respingou nos pés e no joelho dela caíram no momento em que ela foi atingida. Essa informação também comprova que o tiro dado em Isabele não foi acidental, pois o gatilho precisou ser acionado, mesmo que de forma involuntária.

"Portanto, a posição que melhor se ajusta, tanto à posição específica assumida pelo corpo após a queda quanto ao sentido da produção de manchas de
sangue, é aquela com a vítima sobre os pés e com a face voltada para a parte posterior do banheiro (parede lateral esquerda) na área de abertura da porta. Nesse sentido a queda do cadáver deu-se composta por dois lances de movimento: abaixamento; e, em seguida, tombo para o dorso", pontuou.

Os laudos finais da perícia foram entregues ao delegado Wagner Bassi da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), nessa terça-feira (11).

O caso

Isabele Guimarães foi encontrada sem vida no banheiro da casa da amiga B.O.C., no dia 12 de julho, por volta das 22h30. Ela foi atingida com um tiro na cabeça, no condomínio Alphaville I, em Cuiabá.

Na casa da acusada, foram encontradas outras sete armas que pertenceriam ao pai dela, o empresário Marcelo Cestari. Ele é atirador esportivo e a menina também praticava o “esporte”. A arma usada no acidente foi uma pistola PT 380. Logo após o disparo, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e constatou a morte da vítima.

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) também esteve no local. A menor era filha do médico neurocirurgião Jony Soares Ramos, que morreu aos 49 anos, em um acidente automobilístico na MT-251. O acidente aconteceu em 2018.

Cestari foi preso no mesmo dia, mas pagou fiança de um salário mínimo, R$ 1.045, e foi liberado. O Ministério Público busca aumentar o valor da fiança, que acabou fixada em apenas R$ 52 mil, para 100 salários mínimos. No então, ainda não há decisão.

A mãe de Isabele, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, afirmou que sabia que a família praticava tiro esportivo, mas não sabia “que havia um arsenal na casa”. Além disso, ela não acredita na alegação de tiro acidental.


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