Cuiabá, 21 de Novembro de 2018

"GUERRA FISCAL NOS PORTOS"

Quinta-feira, 08 de Novembro de 2018, 10h:43 - IMPRIMIR | comentar (01)
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PF faz operação sobre suposta propina da Odebrecht para o senador Romero Jucá

Parlamentar, no entanto, não é alvo direto da ação. Os alvos são pessoas e empresas suspeitas de terem sido beneficiadas por resolução aprovada em 2012 pelo Senado após atuação de Jucá.

Por Camila Bomfim, TV Globo

(Foto: Agência Brasil)

 

A Polícia Federal faz uma operação na manhã desta quinta-feira (8) para investigar suposta propina paga pela Odebrecht para o senador Romero Jucá (MDB-RR) em troca da aprovação, em 2012, de uma resolução no Senado que restringia a chamada "guerra fiscal nos portos". Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos no estado de São Paulo.

 

Jucá, no entanto, não é alvo direto da ação desta quinta, chamada de Armistício. A operação faz parte de um inquérito, já aberto no Supremo, no qual o senador é investigado. Os alvos desta quinta, mantidos sob sigilo, são pessoas que teriam se beneficiado da resolução aprovada no Senado.

 

De acordo com a PF, o senador teria recebido ilegalmente R$ 4 milhões da Odebrecht. No entanto, o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, disse em depoimento que os repasses ao Jucá somam R$15 a R$16 milhões. Cláudio afirmou que Jucá era o político com o qual tinha maior relacionamento. “Ele tinha atenção pela empresa, e resolvia os assuntos”. O G1 tenta contato com Jucá.

 

Ao comentar as delações, no ano passado, Jucá disse que sempre atuou dentro da legislação. "Sempre estive e sempre estarei à disposição da Justiça para prestar qualquer informação. Nas minhas campanhas eleitorais sempre atuei dentro da legislação e tive todas as minhas contas aprovadas."

 

Além de Jucá, no inquérito são investigados o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o ex-senador Gim Argello.

 

A pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ordem para a execução das medidas foi dada pelo relator do caso no STF, o ministro Edson Fachin.

 

Segundo a PGR, os pagamentos indevidos foram mencionados nos depoimentos de três colaboradores, incluindo Marcelo Odebrecht. O executivo contou aos investigadores ter conversado com integrantes do Executivo Federal que indicaram parlamentares que poderiam "trabalhar em prol do assunto no Senado". Documentos que pautaram a investigação revelam que os pagamentos foram feitos em espécie e se iniciaram logo após a aprovação da matéria no Senado, o que aconteceu em 24 de abril de 2012.

 

Ainda de acordo com os colaboradores, os pagamentos foram coordenados pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht. Para dar aparência de legalidade e justificar a transferência de valores foram firmados contratos fictícios de prestação de serviços. "Por meio desse engenhoso esquema de lavagem, a Odebrecht abastecia o doleiro que fazia o repasse de dinheiro às autoridades brasileiras e, ao mesmo tempo, dificultava o rastreamento da real origem do numerário", afirmou Dodge.

 

Oos investigadores já reuniram indícios da prática de corrupção e lavagem de dinheiro.

 

Todos os mandados da Armistício são de busca e apreensão e foram cumpridos nas seguintes cidades:

 

  • 7 em São Paulo;

 

  • 1 em Santos;

 

  • 1 em Campo Limpo Paulista.

 

Na capital paulista, a Polícia Federal foi à sede da Odebrecht na Marginal Pinheiros e em escritórios no Itaim Bibi, na Zona Oeste.

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