Cuiabá, 22 de Julho de 2017

RUANDA

Domingo, 16 de Julho de 2017, 13h:17 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Paul Kagame: de oprimido a opressor

Opinião e Notícia

(Foto: Reprodução)

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O presidente da Ruanda, Paul Kagame, é considerado por muitos um grande líder, principalmente pela recuperação econômica do país após o genocídio de 1994. Suas primeiras memórias incluem seu próprio vilarejo pegando fogo e sua escola dentro de um campo de refugiados. Enquanto era um rebelde contra o governo, ele disse que não tinha ambições políticas, mas agora Kagame já comanda o país há 23 anos. Muitos podem considerar Kagame um modelo, mas ele não é.

 

As ruas de Ruanda são limpas e seguras, os investidores estrangeiros são bem-vindos no país, e se fala muito sobre o direito da mulher. No entanto, existe outro lado sobre o governo de Kagame. Ruanda é um Estado policial. A mídia é censurada, opositores do partido são ocasionalmente assassinados. Um antigo chefe de inteligência, por exemplo, foi estrangulado num quarto em um hotel de luxo na África do Sul, um ex-ministro foi morto a tiros no Quênia.

 

Em Agosto, Ruanda vai reeleger Kagame. Seus oponentes são impedidos de fazer campanha. Pela Constituição, ele não poderia continuar no poder, mas uma petição “espontânea” (seguida de um referendo), pedindo que ele pudesse ser reeleito só atraiu dez votos contrários em um país de 11 milhões de habitantes. Ele pode continuar no poder até 2034.

 

Muitos podem falar que ele reergueu um país que parecia acabado. Na época do genocídio, 85% da população era de etnia hutu. Provavelmente, a maioria deles ou ajudou ou não fez nada para impedir a morte de 500 mil vítimas da etnia tutsi. Kagame liderou um exército de exilados tutsi para impedir outro genocídio. Quando as milícias genocidas fugiram para o Congo, ele foi atrás para matar.

 

Agora seu partido, a Frente Patriótica Ruandesa, está de olhos abertos em cada vilarejo para impedir qualquer dissidência pela tática do medo. Com exceção da Eritreia, Ruanda é o país com menos liberdade de expressão na África. Em 1994, Kagame foi necessário. Agora, entretanto, ele é o problema.

 

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