Cuiabá, 12 de Dezembro de 2017

ALIMENTAÇÃO

Terça-feira, 04 de Abril de 2017, 16h:31 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Óleo de coco: de mocinho à vilão! Será?

Antes ovo fazia mal, agora faz bem; a margarina era a salvação da humanidade, agora entope as artérias e o óleo de coco que era bom pra tudo, agora não

Karina Peloi

óleo de coco

 

Então vamos falar sobre a polêmica alimentar do momento, o assunto que deve estar fazendo você pensar: antes ovo fazia mal, agora faz bem; a margarina era a salvação da humanidade, agora entope as artérias e o óleo de coco que era bom pra tudo, agora não é mais. E vocês já devem estar aí descrentes e sem saber no que acreditar.

 

A discórdia do momento é o óleo de coco, que até então era quase um milagre, pessoas tomando café com óleo de coco, fazendo uso de cápsulas de óleo de coco, preparavam todas as comidas com óleo de coco, fazendo com que tudo tivesse gosto da Bahia. Era óleo de coco pra tudo. 

 

Isso porque ele seria bom pra emagrecer, diminuir circunferência abdominal, seria um fungicida, antimicrobiano, melhoria a imunidade, prevenia doenças neurológicas, o envelhecimento precoce , enfim, estávamos no momento óleo de “cocomania”.

Mas aí, veio a Associação  Brasileira de Nutrologia - ABRAN e apresentou o seu posicionamento oficial sobre a prescrição de óleo de coco, e a casa caiu para esse óleo milagroso.

 

E a recomendação da ABRAN foi que:

- Óleo de coco não deve ser prescrito para prevenção ou tratamento de obesidade;

- Óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção  ou tratamento de doenças neuro-degenerativas

- Óleo de coco não deve ser prescrito como nutriente antimicrobiano

- Óleo de coco não deve ser prescrito  como imunomodulador

 

E a Associação de nutrólogos está correta? É claro que está! E seu posicionamento veio em boa hora.

Veja que ela não está dizendo para não consumir óleo de coco, mas sim para que os médicos não prescrevam. Sim, pois nutrólogos são médicos e eles, como também muitos  nutricionistas vinham prescrevendo o óleo de óleo de coco para todas essas patologias.

 

Entenda, não sou e nunca fui contra o uso de óleo de coco, eu faço uso dele, e até prescrevo para alguns poucos pacientes, mas tão somente com duas finalidades:

A primeira, como uma opção de fonte de energia para praticantes de atividade física e até atletas. Isso porque o  óleo de coco tem a maior parte de sua constituição formada de triglicerídeo de cadeia médica – TCM, e não se preocupe, nesse ponto todos os cientistas são unânimes, óleo de coco é rico em TCM. Os TCMs são lipídios que facilmente são oxidados, sendo rapidamente metabolizado pelo fígado formando energia. 

 

Porém, todos os estudos apontam que o TCM é uma boa fonte de energia para antes da atividade física, mas que o carboidrato ainda é o melhor nutriente para ser utilizado pelas células para formar energia. 

 

Então pra que usar óleo de coco antes do exercício se o carboidrato é uma melhor fonte de energia? Porque a mídia, que precisa de assunto ou incentivada pela indústria,  está dizendo o tempo todo para as pessoas usarem o óleo de coco e até mesmo porque alguns profissionais estão prescrevendo para seus pacientes para uso antes dos exercício. 

E assim, assim as pessoas resolveram abandonar o bom e velho carboidrato antes dos exercícios para fazer uso do óleo de coco. E disso, o que vemos são muitas vezes pessoas com hipoglicemia durante os exercícios já que antes do treino apenas consumiram 1 colher de óleo de coco e café.

 

Como disse, o óleo de coco pode ser uma boa opção de alimento antes do treino em conjunto com uma fonte de carboidrato, isso nos traria duas vantagens: ajudaria a diminuir o volume da refeição e ajudaria a evitar um pico de glicemia. 

OU ainda, como até mesmo já prescrevi para atletas durante competições que tinham baixa tolerância ao carboidrato e que toleravam bem o TCM.

 

A segunda possibilidade de uso do óleo de coco é utiliza-lo para substituir outros óleos vegetais para a preparação de alimentos. 

O óleo de coco tolera altas temperaturas, pois trata-se de ácido graxo saturado, isso também é incontroverso, então é uma opção para o processo de cocção. Mas ele tem uma questão, o seu sabor marcante acaba fazendo com que todas as preparações fiquem com o mesmo sabor: coco.

Como sempre digo, o melhor óleo para cozinhar é “nenhum”. O ideal é usarmos a menor quantidade de óleo possível na preparação dos alimentos e depois usar azeite extra virgem cru no prato.

 

Além dessas duas situações, todo o restante é modismo. É a esperança das pessoas em ter um alimento milagroso, algo que as faça emagrecer  ou melhorar a saúde. Além disso, uma mídia que sempre precisa de um alimento do momento para falar e uma indústria avida por vender. 

E se temos um efeito colateral bem perceptível do óleo de coco, certamente é o preço, realmente ele prejudica o bolso.

 

Entenda, nenhum alimento isolado irá te fazer emagrecer ou diminuir circunferência abdominal, prevenir ou tratar doenças, mas sim o conjunto da sua alimentação 

 Então, nada de agora transformar o óleo de coco no ex mocinho e novo vilão. Há estudos que mostram efeitos realmente benéficos(1)  outros não conclusivos (2)  e alguns até que pode ser prejudicial à saúde (3).

 

Você pode usar o óleo de coco, a ABRAN não disso para não se fazer uso, mas sim para que não seja feita a sua prescrição para tratamentos de patologias por falta de embasamento científico. Mas definitivamente, como qualquer outro alimento, você deve consumi-lo como parte da sua dieta, alternando com outros bons óleos (azeite, óleo de abacate, óleo de gergelim), sem transformá-lo no novo salvador.

Se quer emagrecer, ter uma alimentação saudável, prevenir doenças e o envelhecimento através da alimentação, coma pouco, busque a diversidade, consuma vários grupos de alimentos, varie a sua alimentação e aí sim, irá extrair o melhor que o alimento pode te oferecer. 

 

E você, que está aí todo dia de manhã fazendo uso de óleo de coco, café e manteiga ghee para substituir o café da manhã, pense em tudo que falei aqui, quem sabe a manteiga ghee não se torne alvo da próxima discórdia entre os cientistas? 

 

1 – LIAU, K, at al. An Open-Label Pilot Study to Assess the Efficacy and Safety of Virgin coconut oil in reducing visceral adiposity. ISNR Pharmacology; 1-7, 2011.

2 – FERNANDO, WMADB, at al. The role of dietary coconut for the prevention and treatment of Alzjeimer´s diasease: potential mchanisms of action, Br J Nutr, 114 (1) 1-14, 2015

3 – EYRES, L, et al. Coconut oil consumption and cardiovascular risk factores in humans. Nutr Ver 74 (4): 267-80, 2016

 

 Karina Peloi é nutricionista e coach, criadora do Método Magra Para Sempre

 

Fotos: Fabrício Souza

Karina Peloi

 


 



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