Cuiabá, 23 de Fevereiro de 2018

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Domingo, 21 de Janeiro de 2018, 10h:23 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Exercício à noite: prós e contras dessa tendência

Enquanto a cidade dorme, muita gente treina dentro e fora das academias. Conheça os benefícios dessa onda - e os ajustes vitais para não prejudicar o sono

Por Vand Vieira

(@scottwebb)

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Concedido aos cientistas americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young, o Prêmio Nobel de Medicina de 2017 esquentou uma discussão de longa data: a influência dos movimentos da Terra no organismo dos seres vivos. As pesquisas desse trio, desbravadas no começo da década de 1970, foram essenciais para entender no nível molecular como funciona o nosso relógio biológico. E ainda mostram por que existem momentos mais propícios para descansar ou, pelo contrário, fazer exercício físico.

Ocorre que nosso ritmo circadiano (o nome técnico do reloginho interno) parece não ter sido ajustado para a rotina de boa parte da população mundial. E não estamos falando apenas daqueles que se sentem cansados só de imaginar o despertador tocando ao nascer do sol ou não conseguem dormir antes da meia-noite. Com a agenda cheia, muita gente precisa fazer o tempo render e, na impossibilidade de encaixar os exercícios no horário comercial, a solução é deixá-los para as altas horas – ou até de madrugada.

A primeira academia 24 horas do Brasil surgiu em 2006 a partir das necessidades de universitários que também trabalhavam. “Até então, esses alunos mal conseguiam terminar o aquecimento antes do soar do alarme que indicava o fechamento da unidade, em Guarulhos”, lembra o educador físico Eduardo Gusmão, gerente da Academia Gaviões 24h – Paulista.

Pois é, quase não rolava malhar direito no dia a dia, o que fazia o fluxo no estabelecimento aumentar de 30 a 40% nas férias, quando o público conseguia seguir um treino com mais facilidade. A saída? Ampliar a jornada de trabalho na sala de ginástica.

“Graças ao crescimento do movimento em horários alternativos, é comum encontrar unidades que abrem as portas às 5 horas da manhã e encerram o expediente por volta de 1 hora da manhã”, nota Richard Bilton, presidente da rede de academias Cia Athletica e diretor da Associação Brasileira de Academias. “Se pensarmos nos anos 1990, o horário de funcionamento mais comum era das 7h às 21h, e só de segunda a sexta”, completa Bilton. Sim, hoje tem cada vez mais gente suando aos finais de semana e partindo para o treino noturno.

 

Só que essa procura levantou alguns questionamentos. O primeiro foi o suposto impacto negativo no sono. Afinal, atividade física faz liberar adrenalina e outros estimulantes naturais, o que renderia insônia e cansaço no dia seguinte. Estudo após estudo, porém, o temor não parece se concretizar. O exercício pode até favorecer o repouso.

Em uma experiência com 17 homens saudáveis, o professor de educação física Marco Tulio de Mello, da Universidade Federal de Minas Gerais, constatou que o exercício moderado, mesmo feito depois que o sol se põe, promove a liberação de um monte de substâncias relaxantes. “Só que o corpo leva até duas horas para voltar ao ritmo e à temperatura normais”, avisa.

Um time de pesquisadores da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, foi ainda mais longe: segundo eles, nem sequer modalidades vigorosas prejudicariam as horas na cama. E olha que 11 voluntários de ambos os sexos foram induzidos a intercalar noites de descanso total e sessões intensas de bicicleta ergométrica duas horas antes de irem para o quarto. Ao final do acompanhamento, as pedaladas não fizeram diferença significativa, embora tenham elevado momentaneamente os batimentos cardíacos em repouso – o que poderia afetar a profundidade do sono.

“Mesmo assim, o coração só tem a ganhar na ausência do sedentarismo. A atividade física ajuda a controlar a pressão arterial e a ansiedade, sendo uma aliada dos tratamentos convencionais”, incentiva a cardiologista Fátima Cintra, professora livre-docente da Universidade Federal de São Paulo. No entanto, um hábito saudável não deve servir como moeda de troca para outro. “A privação do sono é comprovadamente um fator de risco para eventos cardiovasculares e outros problemas”, arremata Fátima.

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