Cuiabá, 19 de Novembro de 2018

"NÃO POSSO CONTROLAR"

Quarta-feira, 12 de Setembro de 2018, 18h:43 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Taques nega responsabilidade sobre atos de corrupção em sua gestão

Luana Valentim
Da Redação

(Foto: Gcom-MT)

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O governador Pedro Taques (PSDB), candidato à reeleição, em entrevista ao MTTV, na TV Centro América, nesta quarta-feira (12), declarou que não pode se responsabilizar pelos atos de corrupção que ocorreram dentro do seu governo, pois há 70 mil servidores em todo o Estado e, assim, não podendo controlar a todos.

 

Ainda que em pelo menos duas operações, em sua gestão, seu primo e ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, que trabalhava na antessala de seu gabinete, tenha sido preso.

 

A primeira que ficou conhecida como grampolândia pantaneira. Nesta, recentemente, o cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa aponta Paulo Taques como principal mentor da implantação de uma rede clandestina de escutas ilegais, com o aval do governador Pedro Taques.

 

E que supostamente teria grampeando 70 mil pessoas entre políticos, desembargadores, médicos, jornalistas e advogados, realizando um dos maiores esquemas de ‘arapongagem’ na história de Mato Grosso.

 

A outra operação que levou o advogado e ex-secretário novamente para trás das grades foi a Bônus, na segunda fase da Bereré, que desmantelou esquema de desvio de dinheiro público no Departamento Estadual de Trânsito e que teria desviados dos cofres do Estado pelo menos R$ 30 milhões.

 

Mas mesmo sendo interpelado pelas prisões não só de Paulo, mas de Pedro Zamar, ambos seus primos, Taques optou em ressaltar o que – de acordo com o gestor - teria dado certo em sua administração. Assim, pontuando que no Estado haviam 765 escolas que há mais de 20 anos não recebiam nem mesmo uma pintura, sendo que em sua gestão 160 delas foram reformadas e 39 entregues, além de 26 quadras poliesportivas. Reconhecendo a necessidade de reformar mais 400 escolas em todo o Estado.

 

Lembrando que algumas dessas obras ficaram paralisadas após a deflagração da operação Rêmora no dia 3 de maio de 2016 – 2º ano da gestão de Taques -, que mostrou o esquema de corrupção nas solicitações para obras de reforma e ampliação destas escolas, causando um desvio – que caso a operação não fosse deflagrada chegaria a R$ 56 milhões – na Secretaria de Estado de Educação.

 

Questionado ainda sobre esse caso especifico de corrupção dentro da Seduc, que se não tivesse havido desvio de dinheiro público o nível da educação de Mato Grosso poderia estar melhor, Taques disse que existe corrupção em todos os lugares, mas a diferença está na maneira como se trata este assunto.

 

“Nós não passamos a mão na cabeça de quem quer que seja, aliás a nossa administração tomou as providências e rompemos os contratos. Não foram R$ 56 milhões. Eu não estou minimizando a corrupção, o roubo de meio real é muito grave. Mas, nós rompemos o contrato e impedimos a prática de corrupção”, destacou.

 

Já sobre a Caravana da Transformação, Taques negou que tenha ocorrido qualquer problema no programa que, inclusive, foi alvo da operação Catarata deflagrada no último dia 3, pelo Ministério Público Estadual por meio do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público de Cuiabá. Ele ainda afirmou que pretende continuar com o programa enquanto for governador.

 

No dia 3, o Gaeco realizou buscas e apreensões de documentos na Secretaria de Estado de Saúde referentes a Caravana. Duas caminhonetes foram utilizadas para transportar todo o material apreendido. Além de servidores da pasta que prestaram depoimento ao promotor de Justiça do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público, Mauro Zaque.

 

Taques relatou que o MPE apontou nove casos de ‘procedimentos fantasmas’, em que constavam nos registros como pessoas que foram operadas, mas declararam que não passaram pelo procedimento, porém, já foi demonstrado ao órgão que estes pacientes, na verdade, passaram por exames e que estas informações constam nos registros. No entanto, o MPE teria depoimentos gravados de idosos que confessaram nunca terem passado pelos procedimentos médicos.

 

De acordo com o relatório do Conselho Estadual de Saúde – que originou a operação Catarata –, os registros dos pacientes que foram atendidos pela foram feitos manualmente desde outubro de 2017. Ainda pontua que os dados não estariam sendo inseridos no SisReg, nem mesmo no DataSus, que documentam de forma digital os procedimentos à SES e ao Ministério da Saúde.

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