Cuiabá, 13 de Novembro de 2019

POLÍTICA
Terça-feira, 22 de Outubro de 2019, 18h:02

DELAÇÃO PREMIADA

Silval e Nadaf revelaram que desvios no Cepromat eram para pagar dívida com Piran

Claryssa Amorim
Única News

(Foto: Reprodução)

Informações repassadas pelo ex-governador Silval Barbosa e pelo ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, por meio de colaboração premiada, foram a base da Operação Quadro Negro, deflagrada na manhã desta terça-feira (22). De acordo com as investigações, R$ 2,5 milhões foram usados para pagar uma dívida de Silval com o empresário de factorings, Valdir Piran.

Foram presos na operação: Valdir Piran; ex-presidente da Câmara de Cuiabá e do Cepromat, Wilson Teixeira “Dentinho”; ex-diretor de Tecnologia do Cepromat, Djalma Soares; ex-secretário-adjunto de Educação, Francisvaldo Pereira; empresário Weydson Soares e Edevamilton de Lima Oliveira.

Silval e Nadaf delataram o esquema à Controladoria-Geral do Estado (CGE), em maio de 2018, afirmando que o grupo criminoso desviava recursos por meio de contratos para fornecimento de softwares e hardwares de informática para escolas estaduais de Mato Grosso, em 2014, com o Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), atual Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI).

Segundo a decisão da juíza da 7ª Vara Criminal da Capital, Ana Cristina Silva Mendes, foram firmados dois contratos falsos com a empresa Avançar Tecnologia em Software.

"Que houve uma reunião no gabinete da Casa Civil, entre o interrogando Valdir Piran e Weidson, proprietário da Avançar e Pedro Nadaf, onde acertaram sobre a contratação da empresa, tendo na ocasião o empresário Weidson concordado em repassar o valor correspondente a 50% do valor do contrato, ou seja, de aproximadamente R$ 2.500.000,00", cita a magistrada na decisão.

Segundo Silval, o empresário Piran foi quem indicou a empresa Avançar para ser usada no contrato para o desvio do recurso público.

De acordo com as investigações, Piran foi apontado como o líder da organização criminosa. A polícia confirmou que a maior parte do valor desviado por meio dos contratos falsos era para o líder da organização.

A operação

Piran foi preso na manhã desta terça-feira, em Brasília. A juíza Ana expediu seis mandados de prisão e sete de busca e apreensão domiciliar, além do sequestro de bens no montante de R$ 10 milhões dos envolvidos.

De acordo com a Delegacia Fazendária (Defaz), de Valdir Piran foram recolhidos os seguintes bens: casas, fazendas e diversos carros de luxo, entre eles uma Range Rover e um Porsche. A polícia não informou se o valor dos bens será suficiente, uma vez que cada item deve passar por análise.

O delegado responsável pela operação Quadro Negro, Luiz Henrique Damasceno, explicou que o esquema funcionava por meio de contratos falsos, que foram fechados com empresas “fantasmas”.

Os contratos eram para adquirir equipamentos e materiais para a educação de Mato Grosso. Conforme o delegado, ao verificar a veracidade dos contratos, os produtos eram piratas ou nem mesmo chegaram às escolas.

“Teve contrato em 2014 da Cepromat que serviu apenas para desviar recursos. O Estado adquiriu equipamentos para o ensino, mas a efetividade foi zero. Para se ter uma ideia, verificamos que teve escola que recebeu, para a disciplina de História, material contando a história de uma cidade do interior de São Paulo. Então, nada na efetivação era real”, explicou o delegado Luiz.

Veja o “papel” de cada um no esquema: Valdir Piran (líder da organização); ex-presidente da Câmara de Cuiabá e do Cepromat, Wilson Teixeira “Dentinho” (autorizava os contratos); ex-diretor de Tecnologia do Cepromat, Djalma Soares (validava atestados técnicos); ex-secretário-adjunto de Educação, Francisvaldo Pereira (atestava produtos sabendo que não tinha efetividade); empresário Weydson Soares (testa de ferro do Piran) e Edevamilton de Lima Oliveira.


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