Cuiabá, 25 de Fevereiro de 2018

DÍVIDA DE POPÓ É OUTRA COISA

Sexta-feira, 09 de Fevereiro de 2018, 15h:52 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Prefeito se irrita com depoimento de Silvio à PF revelando que ele pegava propina de Silval

Marisa Batalha

(Foto: SICOM/Prefeitura)

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Nesta sexta-feira (09), após o lançamento do Plano Estratégico de Enfrentamento ao Aedes aegypti, no Salão Nobre da Prefeitura de Cuiabá, o prefeito emedebista, Emanuel Pinheiro, ao voltar a responder, em uma coletiva, sobre o vídeo em que aparece guardando maços e maços de dinheiro nos bolsos de seu paletó, que resultou na instalação na Câmara de Vereadores, na CPI do Paletó, assegurou que 'a verdade, em breve, aparecerá'. 

 

Lembrando que em novo depoimento, o ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Sílvio Cézar Corrêa, à PF, no dia 23 de novembro do ano passado, ele [Sílvio] teria confirmado uma dívida entre o ex-gestor estadual com seu irmão, o empresário Marco Polo de Freitas Pinheiro, conhecido como Popó. O que confirmaria sua tese de que o dinheiro que ele foi flagrado, pegando no gabinete do ex-chefe de gabinete Silvio Cezar Corrêa, seria para o irmão, não para ele. 'Nós vamos provar que não temos nada a ver com este mar de lama', frisou Pinheiro 

 

No entanto, se irritou profundamente, minutos mais tarde, ao ser surpreendido com a pergunta sobre o que ele achava da publicação de um relatório parcial da Polícia Federal, encaminhado ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) e à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que desmentia a sua tese de que os maços de dinheiro que embolsou, seriam para seu irmão.

 

'Esta é a última vez que vou responder sobre esta questão, até porque os meus advogados acreditam que estas respostas devem ser dados no fórum certo', respondeu zangado o prefeito

 

No novo depoimento, Sílvio até admitiu uma dívida com Popó por conta de que algumas pesquisas, mas que elas teriam sido pagas muito depois das gravações terem sido realizadas. Os vídeos mostram vários deputados pegando dinheiro vivo. Um suposto mensalinho, pago pelo ex-governador Silval Barbosa, por meio de seu chefe de gabinete, para que os parlamentares mantivessem a governabilidade na Assembleia Legislativa, aprovando mensagens de interesse do Governo e evitando maiores críticas a gestão. Sobretudo, que ficassem à distância dos desvios que vinham sendo realizados pelo ex-governador, nas obras da Copa.

 

O novo depoimento, aliás, do ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Silvio Corrêa reforça a ideia de que havia na gestão passada, uma bem articulada organização criminosa que desviou bilhões dos cofres públicos e manteve vários políticos mato-grossenses silenciados, por meio de um 'gordo propinoduto'.

 

Em um trecho do depoimento Silvio afirma que o valor recebido por Emanuel Pinheiro, na ocasião da gravação dos vídeos, não se trata de pagamento a Popó. E que a propina recebida pelo ex-deputado na época e atua gestor da Capital, não tinha nenhuma ligação com a dívida de Silval com o irmão ([Popó]. 

 

Dívida, aliás, ainda ressalta Silvio, que foram pagas. Explicando que 'ele próprio repassou vários cheques próprios a Popó, que, por sua vez, repassou para pessoa de nome "Omar", que entrou em contato com Silvio no intuito de confirmar se tais cártulas eram do próprio declarante e que, posteriormente, tais cheques foram protestados'. 

 

As informações foram checadas pela PF, que localizou no 4° Serviço Notarial de Cuiabá, cinco cheques protestados por falta de pagamento em nome Silvio Cesar Correa Araújo. “Tais cheques, de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) cada, foram emitidos na data de 05 de novembro de 2014 - ou seja, no mesmo período mencionado por SILVIO em seu depoimento, e cerca de 11 meses após a entrega de valores aos deputados estaduais e gravadas pelo colaborador”, diz  trecho do relatório assinado pelo delegado responsável pela Operação Ararath, Wilson Rodrigues de Souza Filho. 

 

Delação premiada  

 

No dia 24 de agosto de 2017, o esquema foi mostrado em primeira mão no Jornal Nacional, da Rede Globo. Revelando que foi instalado uma câmera escondida, na sala do chefe de gabinete de Barbosa, na época, Sílvio Cezar, registrando o esquema de corrupção envolvendo pelo menos 11 deputados estaduais, da legislatura passada (2010 – 2014), entre eles o hoje prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro.

 

As gravações fazem parte da delação premiada de Silval Barbosa, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em nove de agosto de 2017. A cooperação com a Justiça veio depois de da prisão por quase dois anos, cumpridos no Centro de Custódia de Cuiabá. O ex-governador foi preso em 2015, na Operação Sodoma, por chefiar uma organização criminosa, que cobrava propina de empresas em troca de incentivos fiscais. Em junho de 2017, após o acordo, Barbosa começou a cumprir prisão domiciliar e é monitorado por tornozeleira eletrônica.

 

Nas imagens, o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB) aparece recebendo maços de dinheiro, chegando alguns a caírem no chão e outros sendo apressadamente colocados nos bolsos do paletó. 

 

A delação de Silval Barbosa envolve 34 pessoas, entre autoridades estaduais e federais, empresários e políticos sem mandato. São dezenas de fatos narrados que evidenciam um “sistema espúrio” de corrupção entre os anos de 2003 e 2014.

 

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