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Sexta-feira, 11 de Agosto de 2017, 21h:33 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Maggi teria pago R$ 3 mi a Eder Moraes para mudar depoimento sobre vaga no TCE, revela Silval

Da Redação

(Foto: Reprodução/Montagem/Web)

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Muito possivemente toda a alegria do ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi(PP), em acompanhar nesta sexta-feira(11), o presidente peemedebista, Michel Temer, a Lucas do Rio Verde (distante 360 km de Cuiabá), para o lançamento da colheita de algodão e a primeira usina de etanol feita exclusivamente de milho no Brasil,  foi minada com a matéria veiculada nesta mesma sexta, à noite, na Rede Globo.

 

A matéria veiculada no Jornal Nacional, da Globo, mostra confissões realizadas pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), à Procuradoria-Geral da República, desnudando o mapa de um 'propinoduto' em Mato Grosso de deixar qualquer cidadão de bem boquiaberto. E, obviamente, deve ter alterado e muito o humor do ministro, já que o ex-gestor peemedebista, recém saído da cadeia, após quase dois anos detido no Centro de Custódia de Cuiabá, supostamente por liderar esquemas que desviou billhões do cofres públicos, revelou que Maggi teria participado de um esquema de propina que resultou no pagamento de R$ 6 milhões para que o ex-secretário Eder Moraes mudasse a versão de uma denúncia de corrupção no Estado.

 

As revelações de Silval - em delação premiada -, desmantela a imagem de 'bom moço e estadista' que Blairo vem tentando manter, quando inclui o ministro em um esquema com Éder Moraes, pagando-o para que ele mudasse o depoimento a fim de inocentá-lo no esquema da compra de uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado.

 

Só para relembrar o fato, o ex-secretário de Silval e Maggi, Eder Moraes, denunciou ao Ministério Público Federal (MPF),  'que ele, Silval e Maggi sabiam da compra de vagas no TCE. Mas após este depoimento ao MPF, de acordo com a delação do ex-gestor estadual, Eder teria procurado os ex-governadores [Silval e Blairo] e teria pedido R$ 12 milhões para voltar atrás no que disse. Ambos aceitaram pagar a propina, porém, a metade do exigido pelo ex-secretário. Ou seja, R$ 3 milhões para cada um.

 

Em um trecho do documento, Silval Barbosa confessa que a parte de Blairo foi entregue a Éder por Gustavo Capilé,  em dinheiro vivo, entre os anos de 2014 e 2015. E a sua parte foi entregue por Silvio Côrrea Araújo, seu então chefe de gabinete, na casa de Eder, e outra parte serviu para quitar uma dívida do ex-secretário de R$ 800 mil'.

 

Após os pagamentos, o ex-secretário realmente mudou a versão do seu depoimento. 'Eder contou que em 2009 falou com os ex-governadores que queria comprar uma vaga no TCE. Seis anos depois,em janeiro de 2015, o ex-secretário deu uma entrevista afirmando que havia mentido no depoimento anterior”.

 

Na época, Eder disse que estava 'tomado pela emoção de não ter sido atendido em seu desejo de abocanhar uma vaga no TCE', lembrando ainda que 'praticamente me nomearam e depois me tiraram essa vaga, isso fez com que eu colocasse ali algumas palavras na qual já me retratei'.

 

As retratações do ex-secretário da Casa Civil, Eder Moraes, tiveram impacto nas investigações, que foram arquivadas. Porém, após as revelações de Silval, novos inquéritos devem ser abertos.

 

Outros envolvidos na delação

 

O ex-governador peemedebista ainda cita um repasse de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra, presidente do diretório estadual do PMDB, para que apoiasse a candidatura de Lúdio Cabral (PT) e Francisco Faiad (PMDB) à Prefeitura de Cuiabá, em 2012. 

 

Outro político de Mato Grosso que teria recebido propina, segundo Silval, teria sido o senador Wellington Fagundes, presidente do PR no Estado. Sem citar números, Barbosa disse que o dinnheiro para Fagundes teria saído de contratos com construtoras.

 

Ou seja, se as confissões de Silval nesta sexta, for somente a ponta do iceberg, o ex-gestor deverá, em breve, colocar muitos políticos de Mato Grosso 'em uma saia bem justa'.

 

Tanto que pouco depois da matéria ter sido veiculada na Globo, o ministro Blairo Maggi, agindo rapidamente, largou nota à imprensa (leia abaixo a nota na íntegra)

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

 

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais, coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:  

 

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar  qualquer  ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa. 

 

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim,  ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

 

3. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. 

 

Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional. 

 

6. Por fim, entendo ser lamentável os ataques a minha reputação, mas estou com a consciência tranquila quanto às minhas ações e assim que tiver acesso ao teor da possível delação, usarei de todos os meios legais necessários para me defender, pois definitivamente acredito na Justiça. O momento exige serenidade e responsabilidade. 

 

Blairo Maggi

 

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