Cuiabá, 18 de Outubro de 2018

DESVIO MILIONÁRIO NO DETRAN

Sexta-feira, 11 de Maio de 2018, 17h:35 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Empresário ameaçava envolvidos em esquema, sobre CPI, para extorquir R$ 50 mil mensais

Da Redação

(Foto: divulgação)

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O empresário, Roque Anildo Reinheimer, sócio da Santos Treinamento, usada pela EIG Mercados Ltda. para desviar dinheiro, teria tentado extorquir o proprietário da empresa EIG Mercados Ltda exigindo R$ 50 mil mensais para poder continuar com esquema de desvio de dinheiro. Roque foi preso na 2ª fase da operação ‘Bereré’, nesta quarta-feira (9).

 

De acordo com trecho da decisão do desembargador José Zuquim, Roque “ameaçava” o dono para não abrir uma comissão de inquérito na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) em relação ao contrato entre a EIG Mercados e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT).

 

“Exigia pagamento de R$ 50 mil sob ameaças de utilizar sua influência política junto à Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito a respeito do contrato entre a EIG Mercados e o Detran”, cita o desembargador.

  

O empresário ainda chegou a denunciar as irregularidades no contrato entre a empresa e o Detran, porém, não ingressou e deixou guardadas em sua casa. As ameaças iniciaram em 2017, após o cancelamento do contrato com a Santos Treinamento. Até 2015, o pagamento de propina a políticos e empresários eram feitos através da Santos Treinamento, porém, com o início da atual gestão, os valores ilícitos eram repassados diretamente ao ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, através do ex-diretor da EIG, Valter José Kobori.

 

“Em consonância com essas alegações está a minuta de denúncia em nome de Roque Reinheimer direcionada ao deputado estadual Oscar Bezerra, que traz como assunto anunciado a “fiscalização para apuração – requerimento de informações – indícios de informações levantados”, apresentada pelos sócios da EIG Mercados Ltda”, escreveu Zuquim na decisão.

 

Outra denúncia foi encontrada durante buscas na residência de Roque Anildo, desta vez, direcionada ao deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB). A minuta também foi encaminhada ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) com a seguinte referência: “pedido de apuração”.

 

Zuquim também levou em consideração apontamentos de que o empresário interferiu na produção de provas pelo Gaeco, ajudando a ocultar a participação de outros integrantes da organização criminosa.

 

“As provas dos autos demonstram, portanto, de forma clara, a interferência de Roque Anildo Reinheimer na produção da prova, atuando de forma a ajudar a ocultar a participação de outros integrantes da organização criminosa, buscando interferir no animus de outros integrantes da organização criminosa, seja pela montagem de documentos, pela ameaça, pela extorsão, de modo que sua prisão preventiva é necessária para a garantia da investigação criminal e da instrução processual penal", diz um trecho da decisão do desembargador José Zuquim, responsável por autorizar os decretos prisionais e as buscas na Operação Bônus, deflagrada nesta semana.

 

Peça central

 

Zuquim destacou que Roque Anildo é peça central no esquema de recebimento de propina para a manutenção do contrato entre a EIG e o Detran.

 

“Do caderno processual ficou evidente que o investigado Roque Anildo Reinheimer integra o núcleo de operações da organização criminosa e têm a incumbência de fazer acontecer as tramas ilícitas por ela engendradas. As declarações contidas no inquérito revelam que este investigado é uma das peças centrais da trama ilícita operada no âmbito do DETRAN/MT, tendo participado de sua construção desde o início, contribuindo para a atuação dissimulada de vários dos investigados, dando suporte para a ocultação deles e para apagar os rastros dos supostos crimes perpetrados”, diz em outro trecho da decisão.

 

A operação

 

A Operação Bônus (segunda fase da Bereré) foi deflagrada na quarta-feira (9) e teve como alvos Mauro Savi, Paulo Taques, Pedro Jorge Taques, Valter Kobori, Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, conhecido como “Grilo”.

 

A investigação apura esquema que desviou mais de R$ 20 milhões dos cofres públicos, por meio do contrato da empresa EIG Mercados e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

 

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