Cuiabá, 18 de Setembro de 2018

INTELECTUALIDADE E PRECONCEITO

Terça-feira, 03 de Julho de 2018, 18h:44 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Discussão na Casa Barão vaza e constrange membros da Academia de Letras

Marisa Batalha

(Foto: Reprodução/Divulgação)

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Ganhou sonoridade no meio social, discussão ocorrida no último dia 09 de junho, dentro da Academia Mato-grossense de Letras, depois que o apresentador Everton Pop debateu o assunto com o colunista social Messias Bruxo, no programa que leva seu nome, Programa do Pop, na TV Cidade Verde, canal 12.

 

O suposto ‘puxão de orelha' de Yasmin Jamil Nadaf contra outra integrante da Academia, a ex-presidente da Casa, Marília Beatriz de Figueiredo Leite, vazou e está causando constrangimento entre os honoráveis intelectuais da Casa Barão de Melgaço.

 

Yasmin - pesquisadora da História da Literatura e da Leitura e dos periódicos dos séculos XIX e XX -, é membro efetivo da cadeira nº 38 da AML, ainda que não tenha um livro de poesia ou de ficção publicados. Entretanto, é reconhecida como uma referência, quando se fala de literatura feminina em Mato Grosso. 

 

Ela teria chamado a atenção da poeta, conhecida por sua irreverência, por colocar à público sua vida pessoal, inclusive seus amores, em entrevista recente. Sob a alegação de que ela estaria expondo a instituição, colocando-a em um patamar onde 'vivem os simples mortais'.

 

Cobrança surpreendente vindo de Nadaf - segundo alguns membros da AML que optaram em manter seus nomes em sigilo -, depois da descoberta que Yasmin Jamil era a indicada do irmão, Pedro Nadaf, para uma vaga na Fapemat e não tendo sido reconduzida pelo atual governador Pedro Taques (PSDB). Ela também é acusada de simulação de contrato, num caso que desfalcou a Fecomércio-MT em mais de R$ 1 milhão. 

 

Assim a cobrança causou estranheza em alguns membros que compõem a Casa, por ter sido pautada em entrevista realizada por Marília Beatriz, no último dia 12 de maio. Em uma série intitulada 'Imprensa Mahon', comandada pelo escritor e ex-presidente da instituição, Eduardo Mahon. 

 

Nela Marília Beatriz – conhecida há anos como uma agitadora cultural -, fala desde sua idade, sua trajetória literária até suposto affaire com o ator e poeta Caio Ribeiro [mais novo do que ela]. Um affaire em que Marília opta por conceituar como 'um sentimento de ordem poética ou ainda uma antropofagia criativa'. A matéria realizada de forma descontraída feriu, no entanto, os ‘brios de alguns acadêmicos’ e a discussão acabou transpondo as antigas paredes da Casa Barão. 

 

E, assim, ganhando a atenção da sociedade e da mídia cuiabana, principalmente após post publicado pelo jurista, escritor e ex-presidente da Academia, Eduardo Mahon, em sua página no Facebook. Onde revela sua indignação, pela ofensa feita a ‘alguém da estatura de Marília Beatriz por suas opiniões e expressões’. 

 

E sem citar nomes revela que a cobrança feita ‘é um sinal de que em Cuiabá ainda sobrevivem mentalidades obtusas, sombrias, paranoicas e perigosas’. Mostrando todo o seu repúdio a censura moralista, antidemocrática e recalcada. Ainda pontuando que ‘uma coisa é certa: a dor que mais dói é a dor de cotovelo’.

 

Para colocar mais lenha nesta ‘fogueira das vaidades’, matéria intitulada -  Amor em tempos de cólera -, veiculada no semanário Circuito MT, de 20 de junho, mostra o jovem escritor Caio Augusto Ribeiro exaltando sua estima por Marília, a quem chama de ‘alquimista dourada e sua madrinha poética’, ao revelar, igualmente, sua indignação pela cobrança feita a ela, dentro da Academia de Letras. 

 

E como Mahon, Caio opta em abusar da habilidade com as palavras, deixando nomes de lado, mas evidenciando – em versos – toda a indignação. E abusando de ‘boa poesia’, diz que [...’em tempos em que as palavras-generais querem ditar duramente o que se diz e o que se faz, eu prefiro armar alfabetos dentro de mim com palavras que vêm de outros lugares, que vêm de poços fundos de outros olhares e em meio a estes  milhares, Marília Beatriz é a alquimista dourada das palavras...’],

 

Ainda dedicando a ela todas as palavras de amor, ‘nesses tempos de desamor’, ao lembrar que ambos passeiam pelo ‘deslimite da palavra’.

 

A discussão ocorrida no início de junho vem causando - até hoje, há mais de 20 dias -, profunda polêmica entre seus membros. Assim, para aqueles que acreditam que ser ‘um imortal’ é como estar inserido em uma casta de nobres, ainda que obviamente ninguém questione o mérito do ‘fardão’, Marília, com sua irreverência, expôs a instituição, prestes a completar 100 anos. 

 

Mas boa parte dos membros acredita, no entanto, que o enfrentamento desvelou a falta de respeito pelas diferenças. E que para além das palavras polidas e, minuciosamente escolhidas, a cobrança de Nadaf deixou vir à tona, um empoeirado preconceito que pode morar há anos na Casa, que se pressupunha só habitava o conhecimento. 

 

Quem estava na reunião, mesmo que prefira não se identificar, revela que a ferocidade da acusação levou Marília às lágrimas. Ainda lembrando que não bastasse o infeliz comentário, Yasmin ainda acusou a colega Maria Cristina Campos de desmerecer a Academia ao afirmar, em entrevista concedida ao Diário de Cuiabá, que “tal como a poesia de Manoel de Barros, a AML não serve para nada”. 

 

A polêmica agravou-se quando também outra acadêmica teria afirmado “que nos botecos da cidade, comenta-se que qualquer um entra na Academia de Letras” – colocação imediatamente rebatida pelo escritor Ivens Cuiabano Scaff. 

 

Em sua defesa, a acadêmica Yasmin Nadaf afirmou ao Site Única News que é ‘totalmente desprovida de preconceito’ e que quando falou com Marília sobre ter revelado detalhes de sua vida pessoal em uma entrevista, a discussão só teria ocorrido a pedido de alguns membros da AML e, sobretudo, porque ela [Marília] aparece em uma foto usando a Pelerini – uniforme da Casa -, e que isto não seria certo.

 

(Foto: Ilustração)

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Ainda lembrando que há 23 anos ocupando uma cadeira na Academia, em nenhum momento teria questionado a colega sobre ‘estar namorando com alguém mais novo’.

 

 ‘A discussão veio à tona pelo fato de Marília aparecer com o ‘fardão’, quando isto só deve ocorrer caso se esteja falando sobre algum assunto envolvendo ações da Academia de Letras. Pois o Pelerine quando você o recebe no ato da posse, passa a ser algo sagrado’, ainda diz.

 

Também lembrando que ela seria a última pessoa a poder julgar relacionamentos pessoais, se ela [Yasmin] vive momentos difíceis com membro de sua família tendo sido preso – em referência à prisão de Pedro Nadaf na operação Sodoma em setembro de 2015 -, por desvios milionários na gestão do ex-governador Silval Barbosa. 

 

Contrariada, Yasmin ainda chegou a citar o post do escritor Eduardo Mahon, em sua página no Facebook, como responsável pelo vazamento da discussão para a mídia. Lembrando que ela só teria feito o papel de advogada do diabo, voltando a frisar, que atendeu a pedidos dos colegas de dentro da Academia, para que chamasse a atenção de Marília. Não por tratar de assuntos pessoais, mas tão somente por ela estar usando o ‘fardão’, em assuntos distantes das propostas pela AML.

 

Marília Beatriz e Eduardo Mahon foram igualmente procurados pela reportagem do Única News, mas ambos preferiram não se posicionar. Em particular, Marília Beatriz, que ainda revelou que a situação está sob sua 'análise interna' e que precisa de mais tempo para entender o que aconteceu e, sobretudo, porque aconteceu. Mas que não guarda ressentimentos!.

 

Já Mahon fez questão de pontuar que colocou em seu post, no Facebook, seu sentimento quanto ao ocorrido. Mas que nem poderia ampliar esta discussão por não ter comparecido à esta reunião, em particular. 

 

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