Cuiabá, 16 de Outubro de 2019

POLÍTICA
Quinta-feira, 13 de Junho de 2019, 11h:04

ARQUIVAMENTO DE DENÚNCIA DA GRAMPOLÂNDIA

Barranco critica MP e diz que pedido ‘fere de morte’ história da instituição

Fernanda Nazário
Única News

assessoria

Barranco critica MP e diz que pedido ‘fere de morte’ história da instituição
O deputado estadual Valdir Barranco (PT) criticou o pedido do Ministério Público (MP) para arquivar a denúncia contra o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, e das delegadas Alessandra Saturnino e Alana Cardoso, em processo sobre escutas telefônicas ilegais, que ficou conhecido como a "Grampolândia Pantaneira".

Para ele, esse posicionamento deixa uma mancha na história da instituição, além de ‘ferir de morte’ a trajetória dos membros do MP. “Promotores, mais do que eu e qualquer outro cidadão, sabem que este foi o maior escândalo da invasão de privacidade e da negativa de prerrogativa constitucionais da história do mundo. Um presidente norte-americano teve que deixar o segundo mandato que estava muito bem avaliado, em 1974. Ele tinha vencido as eleições em 49 dos 50 estados e teve que sair do cargo por conta de um grampo em três telefones. Agora, aqui em Mato Grosso foram milhares de grampos”.

Barranco diz que essa situação é desanimadora levando em consideração o cenário brasileiro onde a lisura do judiciário está comprometida. E, para não colocar em risco a credibilidade dos órgãos de fiscalização e controle, o parlamentar entende que é necessário a imparcialidade a fim de não comprometer o andamento das investigações. “Eu rogo para que eles [MP] possam rever essa maneira de pensarem e que tudo possa ser esclarecido. Que os culpados possam ser punidos. A sociedade não merece que passem ileso um crime como esse, que afetou o estado de Mato Grosso e tantas pessoas inocentes cuja privacidade foi invadida”.

O pedido do MP foi negado em decisão proferida na segunda-feira (11), pelo juiz da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues. No entanto, a decisão final será tomada pelo procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, já que o magistrado enviou os autos do processo para o procurador oferecer a denúncia ou deliberar conforme desejo do MP, pelo arquivamento do inquérito.

O esquema

O esquema de arapongagem foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que comandou a Secretaria de Segurança Pública em 2015. Zaque realizou a denúncia à Procuradoria-Geral da República, afirmando que havia alertado o governador Pedro Taques sobre a existência de um “escritório clandestino de espionagem” por meio de dois ofícios.

O caso veio à tona em 2017, por interceptação de políticos, jornalistas e advogados, entre 2014 e 2017.

As investigações apontaram que os membros da Polícia Militar aproveitaram uma investigação relacionada ao tráfico de drogas na região de Cáceres (a 250 km de Cuiabá), para inserir números telefônicos de políticos adversários ao governo, médicos, advogados, parlamentares, jornalistas, servidores públicos e até desembargador aposentado de Mato Grosso, em um pedido de quebra de sigilo.

O requerimento para as interceptações teria sido encaminhado ao MPE, que por sua vez formalizou a solicitação à Justiça estadual. A autorização teria partido do juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira, que não teria tido conhecimento de que nem todos os números relacionados pela PM estavam relacionados com o crime tratado no processo.


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