Cuiabá, 24 de Maio de 2018

ATAQUES RACISTAS

Quarta-feira, 09 de Maio de 2018, 13h:50 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Rapaz confirma áudios onde chama fotógrafa de "mucama e crioula maldita"

Da Redação

(Foto: reprodução)

andre e mirian

 

Rafael Andrejanini, de 31 anos, confessou ter gravado e enviado os áudios que circularam nas redes sociais, onde chama à fotógrafa Mirian Rosa, de 32 anos, de "crioula maldita". e mucama". Ele foi ouvido pelo delegado Cláudio Alvarez Santada, nesta terça-feira (8). Rafael será indiciado por injúria e racismo.

 

 

Andrejanini antecipou seu depoimento. Ele, foi interrogado pelo delegado Cláudio Alvarez Santada, adjunto da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. 

 

 

Segundo o delegado, o rapaz alegou que mandou os áudios em legítima defesa, após ter supostamente discutido com a vítima. "Ele confessou os fatos, até porque, diante dos áudios e da voz do suspeito, seria difícil negar. Em sua defesa, ele alega que havia discutido com a vítima em um momento anterior e que havia mandado os áudios em um grupo do WhatsApp para se defender".

 

 

O delegado ainda disse que o rapaz afirmou que estava de "cabeça quente" quando enviou os áudios e negou ser racista, "chegando, em seu depoimento a declarar-se negro e, por isso não seria racista".

 

 

De acordo também com o delegado, Rafael será indiciado por injúria racial. Um crime que prevê prisão de 1 a 3 anos. E,  igualmente,  indiciado por ter atingido a coletividade das pessoas negras ao citar, por exemplo, que “pode dar tiro em crioulo”. Neste outro crime, Andrejani pode pegar de 2 até 5 anos de prisão, sem prescrição de pena ou fiança.

 

 

Segundo a polícia, ainda nesta quarta-feira (9), será tomado o depoimento da dona do celular, usado pelo jovem para enviar os áudios, assim como de outras testemunhas do caso. Ela seria uma antiga amiga de Mirian e em alguns dos áudios pode-se notar ele rindo no fundo, enquanto o rapaz realiza os xingamentos contra a fotógrafa.

 

Entenda o caso

 

A fotógrafa Mirian Rosa registrou um boletim de ocorrência na última quarta-feira (2), após ser alvo de ataques racistas em grupo do whatsapp. Áudios com ofensas e racismo contra pessoa negra foram enviados pelo Rafael. 

 

 Nos áudios enviados ele a comparava com um saco de lixo preto e carvão. “É o seguinte: vou queimar uma carne lá em casa. Preciso de você, como o carvão e o saco de lixo para recolher o que restar”.

 

  Em entrevista ao Única News, Mirian disse que chegou a conhecer o autor do ataque por frequentarem o mesmo grupo de amigos, mas que nunca teve intimidade com ele.

 

 Na quinta-feira (3), o Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), manifestou seu repúdio contra a violência racial. Por meio de nota, o Imune revela que Rafael violentou não somente uma mulher negra, mas à coletividade destas mulheres que, como Mirian, são trabalhadoras e ganham a vida às duras penas.

 

 No mesmo dia, foi concedido pela Justiça de Mato Grosso, uma medida protetiva de 500 metros de distância da fotógrafa e família. A decisão atende a um pedido formulado pelo Ministério Público Estadual (MPE).

 

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