Cuiabá, 06 de Dezembro de 2019

POLÍCIA
Terça-feira, 19 de Novembro de 2019, 11h:40

EM GUARANTÃ DO NORTE

Investigadora da Polícia Civil denuncia advogado por agressão

Elloise Guedes
Única News

(Foto: Reprodução)

A investigadora da policial civil, Poliana Schrammel, lotada em Guarantã do Norte (a 721 km de Cuiabá), denunciou o advogado Marcus Augusto Giraldi Macedo, presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Peixoto de Azevedo (a 692 km da capital), por agressão após uma discussão entre os dois, dentro de uma delegacia, na noite da última quinta-feira (14).

Segundo informações, o advogado queria falar com suas clientes que estavam na delegacia. Na ocasião, a policial estava sozinha no plantão noturno, responsável por 12 presos, sendo seis mulheres.

A policial conseguiu gravar toda a discussão. Em determinado momento, ele bate na mesa e diz à policial para ela o respeite “porque ele é advogado”. Em outro trecho, ele entra à força no prédio e complementa dizendo “me prenda”.

A presidente do Sinpol-MT, Edleusa Mesquita, se pronunciou sobre o caso. "Quando o advogado chegou, a policial estava acompanhando presas que precisavam ir ao banheiro e por isso demorou a atendê-lo. Quando o fez, pediu que esperasse a chegada de reforço, protocolo policial que deve ser seguido e que o presidente da OAB deveria conhecer bem. Contudo, ele ficou irritado e de forma desrespeitosa invadiu a delegacia aos berros, tentando intimidar a policial. Atitude repugnante e reprovável”, disse a presidente.

Em áudio exibido na última segunda-feira (18), durante o telejornal MT 1, da TV Centro América, o advogado disse que está amparado pela lei e que a policial o agrediu verbalmente, versão diferente do que aparece no vídeo gravado pela investigadora.

“Essa policial já é conhecida por todos os advogados por desrespeitar as prerrogativas do advogado. Cheguei, bati na porta por um tempo, liguei para o telefone do plantão e eu vi que alguém espiou, botou a cabeça para ver quem estava do lado de fora e voltou para dentro. Passou mais uns 10 ou 15 minutos e aí sim a pessoa abriu a porta. Quando ela abriu, a primeira pergunta que ela fez foi: o que é que o senhor quer aqui doutor? Eu disse que queria falar com minhas clientes, que havia chegado de viagem àquela hora. Ela disse que era uma falta de respeito eu chegar na delegacia àquela hora e começou a me agredir verbalmente", explicou o advogado.

O vídeo que circula nas redes sociais foi entregue ao Sinpol-MT e à diretoria da Polícia Judiciária Civil. "A alegação do advogado não se sustenta. Trata-se de um caso claro de assédio moral, de abuso e desrespeito à autoridade. Não é plausível que um advogado que está à frente da direção de uma subseção da OAB não saiba disso. Já denunciamos o caso à diretoria-geral da PJC, à Secretaria de Estado de Segurança Pública, ao Ministério Público e à própria OAB e esperamos que casos como esses não voltem a ocorrer. Função de investigador é investigador, não tomar conta de prédio público ou custodiar presos. Exigimos respeito!”, disse Edleusa Mesquita.

Por meio de nota, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) esclareceu que não houve agressões.

“A Ordem dos Advogados do Brasil esclarece que as informações preliminares apontam que não houve qualquer tipo de agressão à servidora. Em princípio se apurou que houve violação de prerrogativa profissional dos advogados, impedindo o acesso à delegacia para conversa reservada com cliente, tal qual previsto em lei. Tanto assim o é, que o delegado regional foi acionado pelo próprio advogado, que é presidente da subseção da OAB, para intervir no caso”, diz a nota.

Veja o vídeo:

 


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