Cuiabá, 18 de Dezembro de 2018

70 MORTES ATÉ NOVEMBRO

Sexta-feira, 30 de Novembro de 2018, 20h:30 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Alto índice de feminicídio em MT leva Câmara a debater saídas contra o crime

Elloise Guedes
Da Redação

(Foto: Divulgação)

feminicídio

 

O crime de feminicídio foi debatido em audiência pública, na manhã desta sexta-feira (30), na Câmara dos Vereadores de Cuiabá. O vereador Marcos Veloso (PV), que é delegado de Polícia Civil, realizou a audiência para ouvir especialistas e debater publicamente o assassinato de mulheres mato-grossenses. 

 

Mato Grosso continua sendo o Estado onde mais mulheres são assassinadas. De janeiro até novembro, 70 mato-grossenses foram mortas. 

 

“A sociedade cuiabana e mato-grossense tem sido surpreendida ultimamente com os alarmantes crimes capitulados como sendo feminicídio, que vem ceifando implacavelmente a vida de mulheres integrantes de todas as camadas da população, numa demonstração de desprezo, desrespeito, sentimento de propriedade exclusiva e outras anomalias que dominam as concepções machistas e violentas de determinados tipos de homens”, relatou Marcos Veloso.

 

De acordo com a presidente da Comissão de Direitos da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil, a advogada Gisela Cardoso, disse que o feminicídio vem crescendo a cada dia no Estado.

 

"O feminicídio acontece por conta da condição de ser mulher, ou seja, no caso de violência doméstica ou no caso de misoginia. É uma lei recente ela é de 2015 e de lá pra cá os feminicídios ao invés de diminuir aparentemente tem crescido. Quando se fala deste crime, reparamos que as raízes estão justamente na cultura machista, onde o homem vê a mulher como objeto, como sua propriedade. E quando aquele objeto não satisfaz desejo do agressor, ele simplesmente pensa em se desfazer do objeto, muitas vezes da forma mais trágica", disse a advogada.

 

Ainda conforme Gisela, o assassinato de mulheres podem ser prevenidos se os agressores ficarem longes das vítimas, como determinam as medidas protetivas. Elas podem ser cumpridas também, se tiverem apoio da recém-criada 'Patrulha Maria da Penha', da Polícia Militar.

 

"Eu vejo com muito bons olhos a vinda da patrulha pra Cuiabá, pena que ainda está em fase de experiência. Ainda em um só bairro, o que poderia ser no Estado todo", lamentou Gisela Cardoso.

 

De acordo com a OAB, para evitar o feminicídio é também necessário ampliar a quantidade de delegacias de defesa da mulher em Mato Grosso. No Estado tem seis unidades, em Cáceres, Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Barra do Garças e Tangará da Serra, a sétima delegacia será implantada em Sinop.

 

A advogada explicou ainda que as delegacias de Defesa da Mulher devem atender as vítimas em qualquer dia e horário. "As pesquisas nos mostram que nos horários que a gente mais precisa de uma delegacia da mulher é a noite, nos feriados e finais de semana quando elas estão fechadas".

 

A advogada e servidora da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), Sirlei Thei, que também participou da audiência, chama atenção para as delegacias de Defesa da Mulher no Estado.

 

"Nós acreditamos que a delegacia da mulher não possui a estrutura física nem efetivo, para esse atendimento 24h. A delegacia por exemplo não possui estrutura de cela e não temos espaços para o plantão. Então para se fazer um plantão há necessidades desses espaços, para que nós possamos fazer o nosso flagrante", informou a servidora.

 

Ainda segundo Sirlei Thei, os agressores devem ser tratados psicologicamente até para que eles não continuem cometendo crimes como o feminicídio. 

 

"O trabalho com agressores é extremamente importante, mas que não está sendo desenvolvido ainda. Apesar de todos conhecerem a Lei Maria da Penha, o brasileiro infelizmente não tem o costume de cobrar que a lei  seja cumprida na sua integralidade e isso precisa ser mudado, pois temos que exercer a cidadania de forma plena," disse Sirlei.

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