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Terça-feira, 10 de Julho de 2018, 11h:17 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Pai da bebê índia enterrada viva aparece e pode ficar com Analu

Elloise Guedes
Da Redação

(Foto: Reprodução)

analuavos

 

O pai da bebê índia - Analu Paluni  - da etnia Trumai, que não teve o nome divulgado, mostrou interesse em ficar com a bebê, que teve alta nesta última segunda-feira (09) da UTI neo natal da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. 

 

Analu foi enterrada viva no dia 5 de junho pela bisavó Kutsamin Kamayura de 55 anos, com ajuda da avó Tapoalu Kamayura, de 33 anos, em Canarana (a 838 km de Cuiabá). Ambas ficaram presas por algum tempo sob a custódia da Funai, após prestarem depoimento à Polícia Civil. 

 

O pai da pequena Trumai, também da mesma etnia indígena, afirmou  que não sabia da gravidez, mas que pretende ficar com a filha. Mas aguarda  posicionamento da Promotoria de Justiça. 

 

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Deuel Paixão Santana, o pai ficou sabendo do acontecido pela mídia. O índio foi localizado pela  pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e levado à delegacia durante a investigação. 

 

Analu foi encontrada por policiais e passou sete horas debaixo da terra. A bebê estava internada na Capital desde o dia 6 de junho numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal da Santa Casa.

 

Ainda conforme o delegado, o pai de Analu é maior de idade, mora em uma aldeia em Gaúcha do Norte (a 595 km de Cuiabá). A mãe da criança Maialla Paluni Kamayaura Trumai de 15 anos, teve um breve relacionamento com o rapaz.

 

 

O caso

 

Após ser inicialmente internada no Hospital Regional de Água Boa (a 736 km de Cuiabá), foi transferida às pressas para a capital, por meio de UTI aérea, com helicóptero do governo de Mato Grosso. No dia 5 de junho, quando foi retirada ainda com vida por debaixo da terra, o quadro clínico da bebê, de acordo com os médicos do município era gravíssimo. No dia 6, quando foi transferida para a Santa Casa já foi diagnosticada com insuficiência renal.

 

Dois dias mais tarde passou por uma cirurgia para passagem de cateter, para fazer diálise peritoneal e começou a fazer tratamento de diálise, já que os rins não estariam funcionando. Somente nove dias mais tarde, a bebê começou a reagir, ainda que vagarosamente, assim com estado de gravidade. Mas podendo seu quadro ser declarado estável.

 

A bebê foi enterrada pela bisavó, com ajuda da avó, Tapoalu Kamayura, de 33 anos, no quintal da casa em que viviam em Canarana (635 km de Cuiabá). Elas cavaram uma cova de 50 centímetros nos fundos da residência, no dia 5 de junho, para enterrar a criança.

 

 A mãe da recém-nascida, Maialla Paluni Kamayaura Trumai, de 15 anos, deu à luz por volta de 12h. Depois de cortar o cordão umbilical, a bisavó enrolou a recém-nascida em um pano e a enterrou no quintal. A bisavó foi presa no dia 6 de junho.

 

Vizinhos denunciaram o fato à polícia, que conseguiu resgatar a menina e encaminhá-la para atendimento médico. Aos policiais, a bisavó confessou que teria enterrada a criança porque ela era filha de uma adolescente de 15 anos e o pai estaria com outra mulher. E é tradição da tribo a qual pertencem não aceitar filhos de mães solteiras. A família é da etnia de uma das 19 que vivem no Parque Nacional do Xingu.

 

A avó da bebê chegou a declarar aos policias que ofereceu chás abortivos à filha adolescente para que a gravidez não prosseguisse, porém não houve efeito e ela com a bisavó da bebê decidiram pelo enterro.

 

Em algumas informações contraditórias, a família indígena chegou a relatar inicialmente que havia enrolada a bebê em um pano e a enterrado, acreditando que estava morta. Pois a adolescente, mãe da bebê, supostamente deu a luz no banheiro e não teria conseguido segura-la, assim ela caiu no chão. Com isso, a mãe acreditou que a criança teria morrido.

 

A bisavó, a índia Kutsamin Kamayura, ficou presa por um tempo. Após investigações da Polícia Civil, a avó Tapoalu também foi presa no dia 8 de junho, suspeita de participar da ação criminosa. No último dia 11 de junho, o pedido da Funai de revogação da prisão preventiva de Kutsamin foi negado pelo juiz Darwin de Souza Pontes, da 1ª Vara Criminal e Cível do município, sendo o mesmo responsável que decretou a prisão da indígena.

 

O juiz também negou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares. No entanto, autorizou a prisão especial a Kutsamin, por ser índia. Ela ficou presa em uma unidade da Fundação Nacional do índio (Funai), em Gaúcha do Norte (a 595 km de Cuiabá).

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