Cuiabá, 19 de Março de 2019

ARTIGOS
Quinta-feira, 14 de Março de 2019, 12h:18

ONOFRE RIBEIRO

O Brasil não é pra amadores

A frase “O Brasil não é pra principiantes”, é do compositor Antonio Carlos Jobim, falecido em 1994. Nem por isso o conceito mudou. Antes. Piorou! Ao olhar o país hoje dá pra ver uma corrente de elos grossos e finos se arrastando atrás de todos nós. O futuro parece pouco animador quando se vê que quem nos dirige aqui e ali são representantes de poder. Não das pessoas. Merece um breve resgate histórico pra se compreender o poder político e econômico no Brasil.           

Fomos colonizados por Portugal entre 1548 e 1822. Foram-se os portugueses mas deixaram uma pesada herança de patrimonialismo preguiçoso que junta os interesses das pessoas que governam e os do Estado que, em tese, pertence à coletividade. O patrimonialismo misturou de forma cruel os dois interesses. Hoje quem governa, governa dentro dos mais duros princípios do patrimonialismo. O que é da coletividade é antes de tudo, meu! Essa é a ideia do patrimonialismo brasileiro.           

O patrimonialismo português/brasileiro, nunca nos deixará ir pra frente. Não interessa que o poder saia do circuito Estado-Governantes. Tem que ser gêmeos pra dar certo pra quem governa. A coletividade serve unicamente pra receber as promessas dos discursos sempre focados nos problemas e nunca nas soluções. Solução significa perder votos. Prometer é da cultura político do poder que sustenta o patrimonialismo.            

Hoje o patrimonialismo sobrevive dentro dos partidos políticos que criaram e sustentam as estruturas do poder dentro do Estado. A partir daí se constroem e se governam os interesses que vão da ocupação de cargos estratégicos, concessões públicas, concorrências públicas, questões tributárias, subvenções, proteções até a fiscalizações do Estado criminosamente dirigidas.            

O sucateamento dos serviços públicos que veio daí, acaba se justificando como um novo discurso nas próximas eleições. “Vamos consertar isso que está aí”. Novo caos depois de eleitos. Novos discursos. Infinitamente a repetição da criminosa mediocridade patrimonialista.           

Como mudar isso? perguntaria o leitor. A resposta parece ser uma só. O tempo. O tempo. O tempo. O tempo. Mas dentro desse tempo cabe colocar que o mínimo de massa crítica da coletividade apressaria o processo. Aqui entram algumas pragas da mediocridade instalada a partir do patrimonialismo pra anestesiar a coletividade: futebol, álcool, telenovelas e agora as redes sociais. Cada um na sua medida não teria problemas. Mas foram canonizados como se fossem religiões fundamentalistas. Uma coletividade dessas nunca sairá da cegueira. Quantos anos ainda?           

Tom Jobim repetiria sua frase 25 anos depois de sua morte, talvez mais pessimista...!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br


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