Cuiabá, 20 de Julho de 2018

ONOFRE RIBEIRO

Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2017, 07h:00 - IMPRIMIR | comentar (01)
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Natal e natais


            Gostaria de contar um simples episódio pessoal. Morava numa pequena cidade chamada Campos Altos, em Minas Gerais. Era dividida pela linha do trem que ligava Uberaba a Belo Horizonte. Frequentar a estação era um programa obrigatório pra quebrar a monotonia daqueles tempos quase parados.

 

            O Natal caíra num domingo naquele distante ano de 1953. Vinha da estação onde acabara de passar um trem barulhento com seus chiados das válvulas de vapor da velha locomotiva “maria fumaça” que puxava os vagões na direção de Uberaba. 

            Era uma rua íngreme e sem calçamento. Próximo da minha casa apanhei no chão um cartão de natal quer alguém recebera e jogou fora. Estava sujo de barro. Li a data: natal de 1953. Eu tinha 9 anos. Lembro-me de ter pensado: “será que viverei até o ano 2000 pra assistir ao fim do mundo?”. A dúvida se justificava porque o nosso velho e querido padre Clemente de Maleto da Paróquia de Santa Terezinha anunciava no sermão de todos os domingos o fim do mundo na passagem para o ano 2000.

            Quando chegou o natal de 2000, já adulto e descrente dos sermões, vi o mundo seguir a sua rota nesse amplo universo. Hoje, passados 17 anos além do também distante 2000, recordo que minha vida deu um longo passo. Casamento, filhos, netos, bisnetos. E mais um natal em 2017. O menino sumiu no horizonte faz anos. Os próximos natais prometem mais e mais distância daquele 1953 da minha infância mineira.

            Em 2017 há espaço pra uma profunda reflexão sobre esses tempos que vivemos. Cada um natal diferente e distante do anterior. Rapidinho lá se vai uma década, duas, três e a vida passa...!

            No Natal de 2017 reescrevo algumas lembranças. Mas abre também o espaço pra esperar os próximos natais. Imagino que cara terá em 2025 o Papai Noel digital ou o Papai Noel da inteligência artificial que moverá todos os aparelhos da vida moderna...

            Bom...deixa pra lá. O que foi já foi. O que será, ainda será!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onforeribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br

 

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